Ponto de vista

Represalia?

i 26 de julho de 2011 - 12h31

Na última segunda-feira, dia 18 de julho, o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria da jornalista Marili Ribeiro com título Propaganda Online Cria ‘TV Sem Grade’ (página N6 do Caderno de Negócios), que tratou das peças criativas destinadas exclusivamente à web.

Em determinado momento a jornalista afirmou: “Mas além do modelo de negócios da propaganda no Brasil, sobre o qual muitos publicitários evitam falar por medo de represálias das grandes emissoras de televisão, há um visível atraso na infraestrutura nacional de acesso à internet.”.

Represálias das grandes emissoras de televisão?

Confesso que nos dias que se seguiram vasculhei o jornal à procura da manifestação das emissoras sobre a afirmação. Esperava que, na forma de associação ou individualmente, as empresas cessionárias da exploração da TV aberta no Brasil se pronunciassem sobre o que considerei uma grave acusação.

Não creio que, na defesa de um modelo, as corporações arrisquem sua reputação promovendo represália sobre os profissionais que propõem à discussão do sistema de organização e remuneração adotado pela propaganda nacional que, diante de tantos novos fatos, merece o benefício da dúvida quanto a sua eficiência.

Em tempos de centenário de nascimento do pensador Marshall McLuhan é justo que a academia (são mais de 500 cursos superiores de publicidade e propaganda espalhados pelo Brasil) debata a forma de remuneração dos postulantes ao grau de publicitários. Não menos justo é o pleito dos profissionais que atuam nas novas mídias disputarem as verbas dos grandes anunciantes sem o cárcere representado por um modelo de negócio que já viveu seus dias de glória, mas que hoje está obsoleto diante do comportamento do consumidor brasileiro.

Atrasos à parte, é notória a necessidade de promover um amplo debate sobre o modelo de negócio da propaganda brasileira responsável, entre outros fatores, pelo pífio desempenho do país no Festival de Cannes exatamente nas categorias que representam a tendência da moderna comunicação pelo fato de que as plataformas de vanguarda da publicidade mundial, no Brasil, são tratadas como nichos sem representatividade.

Por tudo isso recomendo aos publicitários brasileiros uma reflexão sobre a pertinente lição de Oswald de Andrade: Contestar é um dever que precede à inteligência.