VAREJO

Under Armour retoma loja física para se aproximar do consumidor

Unidade no Shopping Villa-Lobos, em São Paulo, destaca novas categorias e reforça estratégia multicanal da marca

i 14 de outubro de 2026 - 18h20

A Under Armour inaugura nesta quinta-feira, 15, loja proprietária no Shopping Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo, com 180 metros quadrados.

A chamada “brand house” ilustra a estratégia de complementaridade de canais e aproximação com o público brasileiro.

No mercado nacional, a norte-americana estabelece conexão com performance e esportes de alto rendimento, enquanto em mercados como os dos Estados Unidos e Europa há uma associação maior com o lifestyle esportivo.

Under Armour

Under Armour tem mais de 100 lojas nos Estados Unidos (Crédito: kosoff-stockadobecom)

“Ter uma loja proprietária em que podemos contar todas as nossas principais histórias e trazer nossos principais produtos enriquece o varejo e a experiência do consumidor”, afirma Jefferson Lemos, gerente geral da Under Armour Brasil. “Consequentemente, aumenta o desejo da marca e consideração, beneficiando os nossos próprios clientes no futuro”.

A inauguração ainda representa a retomada da presença em shopping centers. Antes de firmar acordo com a Vulcabras em 2018, a Under Armour estava presente no Morumbi e Barra Shopping, em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, em contratos junto à antiga subsidiária.

Desde que se juntou ao grupo atual, que também detém Mizuno e Olympikus, a Under Armour triplicou de tamanho. Hoje, opera oito lojas em outlets, além de estar presente em mais de 3,2 mil pontos de venda em todo o País no varejo multimarcas. De acordo com Lemos, a marca vive hoje seu melhor momento, fruto de um entendimento mais aprofundado do consumidor.

O varejo esportivo está no centro das transformações do comportamento do consumidor. A busca por maior saudabilidade, especialmente entre as gerações mais jovens, se reflete em hábitos de alimentação e prática de exercícios físicos. Além disso, as canetas emagrecedoras vêm impulsionando mudanças no consumo em diversas categorias.

O Shopping Villa-Lobos, administrado pela Allos, recebe entre 650 mil e 700 mil visitantes mensais. A escolha do local se deu pelas características de ligação com lazer e esporte, localizado ao lado do parque que leva o mesmo nome. Além disso, o escritório da Under Armour está dentro do complexo comercial do shopping, potencializando o caráter “laboratorial” da loja.

“É mais um ponto de atenção para que a gente permeie e viva intensamente a loja para buscar as melhores soluções para os clientes no futuro”, diz Lemos. “Buscamos negócios sustentáveis e rentáveis para gerar valor para nossos acionistas e consumidores. A loja é o primeiro passo e irá viabilizar novos passos no futuro. Queremos crescer com qualidade para que seja um ponto de venda complementar ao universo que temos hoje”, complementa.

Além de investir na experiência a partir das sensações sinestésicas, especialmente no que diz respeito à testagem dos produtos, a marca aposta na apresentação de novas categorias ao público brasileiro. Caso do golfe e do flag football, versão sem contato do futebol americano. A Under Armour, inclusive, patrocina a atleta brasileira Gabi Bankhardt, integrante da seleção brasileira da modalidade.

Negócios na América Latina

Na última semana, o Frasers Group anunciou a compra de 8,8% de participação na Under Armour. No início do segundo semestre, a companhia já havia reduzido sua meta de receita para o ano fiscal, dada a retração do consumo, sobressalente na América do Norte e região Ásia-Pacífico.

Já a América Latina é região destaque em crescimento para a marca. No terceiro trimestre fiscal de 2026, foi responsável pelo crescimento de 20% em receita, contribuindo para o aumento de 3% em receita internacional da companhia, que totalizou US$ 577 milhões no período.

O Brasil, segundo Lemos, serve de benchmark para mercados globais. De maneira geral, o vestuário representa de 60% a 70% dos resultados, enquanto no brasileiro, a principal fonte de faturamento vem dos calçados, cerca de 70% a 75%.

A categoria ainda é vista como um desafio a ser explorado, uma vez que, de acordo com o executivo, há disposição por parte do consumidor em desembolsar tickets médios maiores.