A magia do Cirque
Nas últimas semanas, enquanto o mercado publicitário voltava seu foco para o Festival de Cannes, me desliguei totalmente do trabalho e mergulhei na terra do entretenimento, os Estados Unidos.
Entre muito shows, museus e parques, escolhi falar do meu programa predileto, o Cirque du Soleil, grupo que mais admiro.
Acho fascinante o conceito da companhia canadense, criada em 1984. A ideia era entreter sem usar animais, um conceito que negava a lógica circense. No início, eram 73 funcionários; hoje, cinco mil, nos cinco continentes. Um crescimento vertiginoso que, na minha opinião, se deve à qualidade artística com que eles entretêm o público.
Os 22 espetáculos em cartaz se dividem em dois tipos. Os itinerantes, que utilizam lonas de circo para viajar o mundo; e os fixos, que acontecem em teatros especialmente construídos para as necessidades técnicas daquele show.
Comecei minha jornada “soleiliana” assistindo ao Love, inspirado nos Beatles. O show é lindo. Foge um pouco das principais características do Cirque (acrobacias, música ao vivo etc), mas retrata de forma muito poética a trajetória dos garotos de Liverpool. É interessante que não houve a pretensão de retratar os músicos ao vivo, no palco, realmente uma tarefa difícil de se cumprir. Eles aparecem em projeções originais, impecáveis.
O segundo show que assisti virou o líder do meu top 10 das coisas mais mágicas que já vi. Chamado “O”, o espetáculo encanta por muitos motivos. O fato de o palco ser uma piscina e de cada artista ter um “mergulhador-guia” embaixo d’água são alguns deles. Não bastasse isso, o surrealismo e o romance teatral são retratados de maneira perfeita.
O público fica de queixo caído já na hora em que sobe a cortina. Ou, melhor dizendo, na hora em que ela é sugada – isso mesmo, sugada – por uma turbina de avião.
Depois me aventurei no Zumanity, espetáculo que explora a sensualidade em um grande cabaré. Confesso que me decepcionei. Talvez porque sensualidade não combine com a magia do Cirque. Mas, ainda assim, achei os artistas muito talentosos.
Pra fechar a maratona circense, assisti ao “Ka”. Este surpreende por desafiar a gravidade. Nele, não há palco. Para contar a história de dois irmãos gêmeos, os artistas se apresentam por 90 minutos no ar, suspensos a partir de uma estrutura aérea.
Para quem nunca viu, recomendo. E não precisa nem sair do Brasil. A partir de setembro, o espetáculo Varekai chega aqui, em apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Fabiana Zanelato é diretora artística de eventos do Banco de Eventos, da Holding Clube