Ponto de vista - Comunicação

Romântico, eu?

i 12 de junho de 2012 - 10h43

Não sei exatamente quando começou, mas em determinado momento ser romântico virou defeito. “Fulano é um publicitário romântico.” Pronto, já está o pobre do fulano rotulado como um ingênuo, sem futuro, desses que não merecem a atenção de um mercado empreendedor, pragmático, enérgico, cheio de certezas.
Curioso. Quando olho para Mark Zuckerberg, Larry Page, Jack Dorsey, Steve Jobs e outros tantos ícones atuais, vejo românticos. São pessoas que, antes de tudo, sonharam e deram grande valor à intuição, alguns deles sem a menor noção do modelo de negócio que adotariam a reboque de suas ideias, e que se confessam perplexos com o sucesso que obtiveram, confusos para responder às perguntas sobre lucratividade que um vendedor de cachorro-quente tiraria de letra.

Uma das definições do dicionário sobre o que é romantismo fala de “importante movimento de escritores que, no princípio do século XIX, abandonaram as regras de composição de estilo dos autores clássicos, pelo individualismo, pelo lirismo e pelo predomínio da sensibilidade e da imaginação sobre a razão”. Se colocarmos de lado a questão dos escritores e a antiguidade do século XIX, parece que estamos lidando com um conceito super-moderno, de um embate do novo contra as regras clássicas.

Vão discordar de mim os defensores da razão. Ok. Discordar faz parte do jogo, aquece o debate e nos leva a clarear o ambiente. Sou defensor ferrenho da sensibilidade e da imaginação, e acredito que só elas podem nos levar adiante. Em outras palavras, sou romântico de carteirinha, e acredito que tem muita gente por aí que também é, mas não sabe. 

Adilson Xavier