Se uma iniciativa independente pode, a gente tb pode
Ainda estou estudando os cases de Cannes, mas até agora uma das coisas que mais me chama atenção foi ver um coletivo independente levar o primeiro Leão de PR brasileiro.
Acompanhei de longe o processo de execução do projeto. Vi o Play quase ser clipe do U2, campanha de marca, plataforma de canal de TV, de internet e de gravadora musical. Talvez até venha a ser uma dessas coisas agora. Mas foi como iniciativa independente que ele aconteceu. Assinado por um coletivo de publicitários que decidiu fazer um caminho alternativo pra botar seu trabalho na rua.
Me pergunto o porquê.
Talvez porque praticar inovação ainda seja um tabu no mercado? É difícil de fazer, de aprovar, de produzir, de realizar.
Talvez por ser mais fácil manter um grupo independente motivado até o fim para emplacar sua ideia.
Ou talvez porque, como independente, seja mais fácil burlar as barreiras que separam as coisas em caixinhas (clientes, agências, produtoras, canais de mídia, artistas, criadores de conteúdo).
E pra mim, esse é um ponto crítico. Agências, Criadores de conteúdo e Canais de Mídia, por exemplo, não podem ter relações estritamente comerciais. É preciso uma aproximação sem medo de melindre. Marcas podem sim financiar artistas, que podem criar coisas legais para marcas sem “serem vendidos.” Agências podem sim pensar novos modelos e isso pode sim ser bom para a grade de conteúdo de um canal de mídia. As áreas de conteúdo dos canais de mídia, por sua vez, têm sim muito a ensinar às agências. Esse debate, essa troca, esse sharing e essa integração têm muito a render.
Meu ponto é simples. Se essa conversa aconteceu com um coletivo independente, podia acontecer mais com marcas e agências. Temos muito a aprender e realizar.
Não digo que seja fácil, mas que vale a pena.
Philippe Bertrand é diretor de conteúdo da DM9DDB