Ponto de vista

Cerebro e Estomago

i 13 de outubro de 2011 - 12h03

Estes são os dois principais órgãos de um executivo de sucesso. Mas não adianta simplesmente tê-los disponíveis… É preciso acioná-los na hora e na sequência corretas. A receita de sucesso é bastante simples: nos primeiros anos de sua carreira, você se diferenciará de seus pares pela capacidade intelectual. Seu raciocínio e sua capacidade de correlacionar dados, chegando a conclusões que outros não são capazes de enxergar, fará de você um jovem executivo de grande potencial!
Nessa primeira fase, que pode durar entre cinco e dez anos, o essencial para seu sucesso é o seu cérebro. Entretanto, lá pelos dez anos de carreira, quando sua experiência já permite que você assuma riscos maiores com alguma segurança e quando sua marca pessoal já está estabelecida, as coisas começam a mudar. Por um lado, você já não precisa se provar por sua capacidade intelectual todos os dias, o que leva à atrofia de seu pobre cérebro.
Por outro lado, essa é a fase de sua carreira onde você assume postos de gerência, passa a liderar equipes, se envolve em questões administrativas com mais frequência, etc. Cada vez mais a política corporativa passa a ser parte de sua vida.
Esta é a fase estomacal de sua carreira. Suas crenças e filosofia de trabalho serão questionadas diariamente. Para atingir seus objetivos, você terá que fazer concessões, perder algumas batalhas pra ganhar outras, etc. E isso pode fazer muito mal ao seu (até então virgem) estômago.
Não é por acaso que esta é a fase da vida onde muitos de seus amigos começam a pensar em abrir bares na praia e outros vão parar no Einstein com úlceras. Se quem garante seu sucesso até a gerência média é o cérebro, o resto do caminho depende mesmo de seu estômago. Nessa ordem. Por isso, trate bem dos dois. Sem eles, melhor mesmo é abrir aquele bar agora mesmo.

* Ricardo Fort é diretor global de marcas da Danone Paris