Ponto de vista

Crise de conteúdo

i 23 de agosto de 2011 - 3h08

A força e velocidade do mundo digital trazem algumas angústias para o mercado de conteúdo. Acredito que uma das maiores angústias e incertezas é sobre o futuro dos modelos de negócio de conteúdo diante da realidade que enfrentamos com as plataformas ON LINE, capturando audiência das plataformas OFF LINE, sem trazerem receitas na mesma proporção.

O interessante foi perceber que essa discussão também tem provocado a academia. Na última semana, participei de um debate na ECA-USP sobre esse tema, a sustentabilidade de modelos de negócio baseado em conteúdo diante de um cenário de mudança no comportamento do consumidor, na forma de consumir informação.

Para quem está atuando diretamente no mercado de produção de conteúdo, as consequências podem ser muito complexas. A fragmentação das mídias e a cauda longa apresentam um cenário mundial com mais de 150 milhões de blogs. No Brasil temos aproximadamente 6 milhões de blogueiros e o resultado disso pode causar uma disfunção nos modelos de negócios dos veículos e a redução na qualidade do conteúdo produzido.

O fato é que existe uma grande dificuldade em mudar um modelo de negócio que por séculos foi dominado pelo processo impresso, para passar a operar em plataformas multimídias. Acredito que todas as apostas estão sendo feitas, cada qual a sua forma, pois todos tentam encontrar uma alternativa sustentável. Os grandes jornais brasileiros correm em busca de um modelo de integração a partir do core do negócio, as redações. Esse modelo vai desde a convergência entre as equipes que trabalham no online e no impresso a um modelo que vai muito além, uma nova forma de construir um jornal e se conectar com o leitor, é a integração total no desenvolvimento do conteúdo, independente da plataforma que esse leitor escolha para consumir a informação.

No Paraná, a Gazeta do Povo, por exemplo, tem investido fortemente nesse modelo de integração, com a crença absoluta na personalidade de sua marca e na conexão junto a seu leitor, nas várias plataformas.

Essa nova realidade traz também outra reflexão que é a qualidade da informação, precisamos estar atentos com a credibilidade e a origem da informação que consumimos, já que a velocidade e a abrangência de fontes, fruto da tecnologia, possibilitam que possamos ter acesso a um mundo de informações e opiniões, mas o que percebemos muitas vezes é um grande volume de informações superficial, sem profundidade, com conteúdo insuficiente para se formar uma opinião embasada.

Diante disso, qualidade e credibilidade nunca foram tão relevantes para se conquistar e se manter um leitor. Se o conteúdo produzido é denso e agrega valor, dificilmente ele ficará vagando pela rede. É claro que existem muitas discussões sobre o assunto e muito o que se investigar, pois ninguém tem respostas e sim apostas, mas acredito que a forma de consumir informações deverá ficar mais seletiva e o resultado disso poderá ser modelos de negócio sustentáveis.