Ponto de vista

De olho no pequeno e médio varejo

i 7 de outubro de 2011 - 4h51

Antes de abordar o momento atual vivido pelo pequeno e médio varejo no Brasil, é importante resgatar os principais fatores que levaram o canal a se desenvolver. As mudanças no ambiente econômico e social do País, assim como a busca pela comodidade por parte do consumidor, fizeram com que as compras mensais perdessem espaço para visitas mais freqüentes ao ponto de venda em busca de compras de abastecimento ou de reposição.
Com essa nova realidade, o varejo independente ganhou espaço frente aos formatos de super e hipermercados. De maneira geral, duas realidades são vividas hoje pelo varejo independente brasileiro: a das lojas associadas às centrais de compras ou às rede de negócios pertencentes a alguns atacadistas ou a varejistas. Em um levantamento da Kantar Worldpanel, em parceria com a ABAD, durante o ano passado e atualizado em abril de 2011, quando perguntado a um grupo de comerciantes quantos pertenciam a centrais de compras, 79,1% responderam não, enquanto 20,9% disseram sim. Também foi perguntando a que tipo de rede eram associados. Neste caso, 61,3% responderam que a rede de negócios tinha ligação com o varejo, enquanto 39,7% com o atacado. Fora dessa concentração, estão os pontos de vendas que trabalham isoladamente e dependem do atendimento prestado pelo atacadista distribuidor ou mesmo da indústria para se desenvolver. O pequeno varejo independente, que corre por fora, segue em busca da modernização. As exigências dos consumidores fazem com que as atualizações sejam necessárias e esse nicho de pequeno varejo deve ser adotado pelo atacado que faz as distribuições.
Desenvolvendo-se nos últimos 20 anos, os pequenos e médios varejos permanecem em franco crescimento mesmo em momentos em que muitos acreditavam que as lojas de vizinhança não resistiriam. Um exemplo dessa realidade se deu nos anos 90, quando começou a existir uma concentração dos grandes hipermercados e supermercados no País. O fato de existirem cinco países dentro de um mesmo Brasil – em termos de região Norte, Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste – e, consequentemente, hábitos de consumo diferentes em cada uma dessas áreas, tem sido favorável ao desenvolvimento do canal. Outros fatores têm sido a presença das mulheres no mercado de trabalho, assim como o crescimento do número de pessoas que moram sozinhas e buscam praticidade no momento de se alimentar.

* Carlos Cotos é diretor-executivo da Kantar Worldpanel Brasil