Ponto de vista

Indo ao encontro do consumidor

i 6 de julho de 2011 - 7h24

Enquanto preparava este artigo, alguns dias atrás, pretendia concluir o raciocínio dos posts anteriores, cujo tema central foi o consumidor. Com base nisso, não poderia deixar de ilustrar o texto contando um pouco sobre a chamada “Loja virtual da Homeplus no metrô”.
No case, a rede de varejo Tesco, da Coreia, levou o supermercado para onde estava seu consumidor, no caso, o metrô, e, não só viu seu lucro crescer, tornando-se a número um do varejo online, como conquistou o Grande Prêmio de Media do Cannes Lions 2011.
A ideia, que parece simples e por isso tornou-se genial, partiu do raciocínio de que os coreanos trabalham demais e por isso gastam horas no metrô para a locomoção. No restante do tempo, preferem estar em casa e reservam apenas um dia da semana para tarefas como ir ao supermercado. Então porque não aproveitar esse tempo para fazer compras?
Foram alugados diversos espaços publicitários nas estações e neles impressos gôndolas idênticas às do ponto de venda, trazendo esse universo para mais perto do público-alvo. Cada produto possuía um QR Code, que, escaneado, adicionava o item a um carrinho de compras virtual. Só faltava então concluir a viagem e encontrar o produto em casa.
O que a Tesco fez na Coreia uniu tecnologia de ponta, flexibilidade e inovação. O produto final é crível ao consumidor, mas o conceito é semelhante ao que também estamos praticando por aqui.
Gostaria de compartilhar com vocês a fantástica experiência que estamos vivenciando na Unilever com o CiiC (Customer Insight and Innovation Center). Trata-se de um projeto que reúne soluções diferenciadas em um só espaço para atender tanto o público interno (nossas equipes de marketing) como externo (representado aqui por supermercados, hipermercados, pequeno varejo e farmácias).
Para citar apenas um rápido exemplo: no CiiC, varejistas podem, por exemplo, visualizar as prateleiras de suas lojas e escolher a melhor exposição para um produto por meio de projeções em 3D e realidade virtual. Antes isso era feito in loco e, em muitos casos, retrabalhado.
Sem dúvida é uma ferramenta importante para acelerar o crescimento por meio de uma perspectiva mais assertiva, mas não é apenas isso. Ganhamos todos. Assim como os coreanos, nós também queremos soluções: no momento em que entra na loja, o consumidor precisa sentir que não existe uma barreira entre ele e o produto desejado, e tudo o que for feito para ajudá-lo nesse sentido tem muito valor. Afinal, todos nós queremos também ter a experiência de estar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho.

* Luiz Carlos Dutra é vice-presidente de Assuntos Corporativos para a América Latina da Unilever