Midias sociais: revolução de comportamento
Ninguém mais discute a força das mídias sociais na mobilização e na velocidade com que replicam e compartilham informações. Essa revolução representa um fenômeno social e seu maior diferencial não está somente na tecnologia ou nas próprias ferramentas e sim na mudança de comportamento do consumidor, que está desenvolvendo e produzindo seu próprio conteúdo para se comunicar nesse mundo.
Claro que a tecnologia tem um papel fundamental nessa revolução, pois aproximou pessoas de uma forma nunca antes imaginada, mas é interessante perceber que o conceito de rede social que conhecemos hoje é o mesmo que existia antes dessa revolução tecnológica. A união de pessoas em seus grupos com interesses em comum, com o objetivo de discutir um determinado assunto, interagindo entre si e compartilhando ideias e conhecimentos se mantêm. O que de fato aconteceu é que o avanço tecnológico com ferramentas de redes sociais, como o Facebook, o Orkut e o MySpace potencializaram de forma exponencial a criação e manutenção de relacionamentos com outras pessoas.
Temos também as mídias sociais, que têm uma característica particular, pois além de permitir a interação entre pessoas, como às redes sociais, têm seu foco na criação colaborativa e no compartilhamento de conteúdos e informações, sem que haja uma forma de controle de grandes corporações ou grandes grupos. Esses conteúdos podem ser compartilhados nas diversas formas de mídias sociais, através de vídeo, áudio, texto ou imagem, através de ferramentas de mídias sociais como o YouTube, Flickr, Picasa, Twitter, PodcastOne, Blogger. Apesar da sutil diferença não significa que não seja possível criar relacionamentos em alguns desses exemplos de mídias sociais, mas cada um tem um foco mais determinado.
O fato é que essa nova realidade trouxe um efeito transformador no comportamento humano e na forma de consumir e compartilhar informações e conteúdos. Essas mudanças têm apresentado um grande desafio aos negócios de muitas companhias.
Atualmente, 3/4 das empresas dos norte americanas usam redes sociais para buscar candidatos para preencher suas vagas de trabalho. No Brasil, grandes empresas de Recursos Humanos e headhunters já adotaram o Linkedin na busca de profissionais para seus clientes corporativos, por isso milhares de profissionais que optaram pelo Linkedin para postar informações sobre seu perfil profissional e interesses de trabalho. Isso chama a atenção para o comportamento das pessoas nas redes sociais, pois nossa vida se tornou ainda mais pública e exposta no mundo digital. Um profissional precisa estar muito atento para isso.
Sem falar no novo consumidor, que está alterando fortemente sua relação com as empresas e marcas. Ele virou o verdadeiro protagonista, podendo construir ou destruir a imagem de uma marca em pouquíssimo tempo, já que a credibilidade que existe na opinião dos amigos internautas é imensa. Pesquisas apontam que o poder de influência de compra hoje, em alguns casos, pode ser muito maior nas redes sociais e comentários de amigos do que no posicionamento da própria empresa, que investe milhões na construção de uma marca. Por isso, as empresas têm de ficar atentas e monitorar como sua marca está sendo exposta nas redes sociais.
Isso tudo sem falar na superficialidade de conteúdo, pois com o imenso volume de informações e a facilidade de acesso, todos têm condições de saber um pouco de tudo, o que pode ser muito positivo por um lado, pois a informação está sendo disseminada, mas por outro traz uma grande preocupação. O mundo precisa de mais senso crítico, que só se adquire com mais profundidade. Precisamos provocar essa nova geração para buscar a informação com mais profundidade e a ser mais seletivo e crítico na busca dessa informação para a construção do conhecimento e da opinião, mas a riqueza desse assunto merece outro artigo.
* Milena Seabra é diretora de marketing do GRPCom