Ponto de vista

O peso do patrocínio estatal

i 31 de outubro de 2011 - 4h12

O momento não poderia ser mais propício para esse texto, com uma grave crise no Ministério do Esporte e o terceiro lugar no Pan de Guadalajara. Além disso, estamos há menos de um ano da Olimpíada de Londres, que o Brasil pode infelizmente repetir o fiasco de Pequim.
O site Contas Abertas publicou um levantamento sobre os gastos federais com esporte no Brasil, que incluem o orçamento do Ministério do Esporte, patrocínios das estatais, verbas de loterias e Lei de Incentivo. Um astronômico valor de R$ 1,7 bilhão em 2010.
Para esse texto preferi focar apenas no investimento de empresas estatais em patrocínio esportivo. As empresas investiram R$ 158,7 milhões em 2010, um valor extremamente elevado, concentrado em algumas modalidades e que a meu ver não fortalece mercadologicamente nosso mercado.
Falo isso, porque é inegável que empresas públicas têm extrema dificuldade em utilizar investimentos de marketing com o mesmo rigor e pré-requisitos estratégicos do mercado corporativo.
Adicionalmente muitos contratos tem um cunho mais político do que mercadológico.
Tenho uma opinião que o governo deveria utilizar grande parte dos recursos das estatais para fomentar o esporte de base e criar um ambiente fortalecido do esporte de alto rendimento, de diferentes modalidades, para atrair empresas privadas.
Isso já deveria ter sido feito e não foi. Por isso sempre perto de Jogos Olímpicos despejamos milhões de reais no alto rendimento, e continuamos na terceira divisão dos esportes olímpicos mundiais.
Em minha opinião o modelo mais bem sucedido no mundo do esporte foi o adotado pelos EUA com a profissionalização da gestão de times, Ligas e Confederações que resultou em um efeito extremamente positivo para o mercado, já que entidades profissionalizadas atraem o interesse de empresas privadas, focadas em projetos que gerem retorno e impacto para seus negócios.
Assim, o modelo norte-americano está correto, e lá até o esporte de base é financiado pela iniciativa privada. E por isso sempre figuram no topo do ranking das medalhas nos grandes eventos.

Contratos de patrocínio esportivo de estatais em 2010:
BB: R$ 56 milhões
CEF: R$ 30,5 milhões
Eletrobrás: R$ 25 milhões
Correios: R$ 22,7 milhões
Petrobras: R$ 19,9 milhões
Infraero: R$ 4,1 milhões
Casa da Moeda: R$ 500 mil
Fonte: Site Contas Abertas

Amir Somoggi é diretor de consultoria em gestão esportiva da BDO