Porque hoje é Sábado
Pra mim, o jornalismo de fim de semana ainda é um assunto mal resolvido. Não acho que é o caso da mídia impressa, principalmente das Revistas semanais de informação, onde esses dias marcam o momento da virada, do respiro, da contribuição de fato (pelo menos elas tentam). Também não é tanto um problema dos Jornais, principalmente nas edições de Domingo; mas isso, é claro, varia de jornal para jornal.
Já no caso das TVs e também das Rádios noticiosas, é aquela morneira de sempre: faltam assuntos (o que é lógico e natural, já que as pessoas não trabalham!), mas o tempo de duração dos Telejornais ou das edições das manhãs do jornalismo das Rádios no Sábado, continua o mesmo.
Os Telejornais das grandes redes, por exemplo, praticamente só trazem matérias frias, como que a provar que eles não têm como fabricar notícias e daí tome lados softs, matérias que se arrastam e não há lógica que justifique porque esses assuntos merecem ganhar destaque no horário mais nobre da emissora.
Chegam a um ponto tal, que quem costuma assistir freqüentemente (meu caso), já consegue antecipar que tipos de matérias virão, qual a política dos breaks, que tipo de chamada entrará, etc e tal. Tudo isso como reflexo de um pressuposto errado: que a vida das pessoas no Sábado continua a mesma de durante a semana – o que se reflete na grade de programação.
No caso das Rádios de notícias (All News) a situação é bem semelhante, se não pior.
Frente ao tempo exagerado de dedicação de espaço para o jornalismo noticioso no Sábado (também igual ao de 2ª. à 6ª.) e frente também ao fato de existir um menor volume de prestação de serviços – o que também é natural devido ao menor volume de trânsito – as Rádios tem virado uma espécie de porta-vozes das áreas de RH das empresas. E lá vem os depoimentos, “cases” de inspiração, fórmulas de sucesso,… – nada contra o tema, mas para mim isso deveria fazer parte de outro programa e em outro horário, pois não atende à maioria dos ouvintes.
Frente à isso, pergunto: não está na hora de repensar a duração do Jornalismo nos Sábados? Não seria muito melhor para as empresas, para a audiência e para os próprios jornalistas, que esse tempo fosse mais enxuto, que se pensasse em espaços menos “engessados”, abrindo espaço para outros temas ou gêneros a explorar? A família “esgotada”, agradece.
*Geraldo Leite, sócio-diretor da Singular, Arquitetura de Mídia