Ponto de vista

Todos estão cegos

i 14 de outubro de 2011 - 12h11

Imagine que seja lançada uma TV espetacular.
Que ela seja fininha, com altíssima qualidade de reprodução de imagem, som estéreo, tamanhos maiores e pouco consumo de energia.

Que ela agregue os canais de TV Aberta aos de Assinatura e que ainda dê acesso, pelas múltiplas fontes de entrada e conexões, a outros equipamentos, como jogos, “vídeos on demand”, à própria Internet e etc.

Que isso faça parte de um sistema integrado digital, onde a TV é só o início de um processo de interatividade e de mobilidade e que para tanto, foram mobilizados cientistas, os melhores talentos, diplomacia internacional, investimentos públicos e de grandes empresas de comunicação e de telecomunicações.

Imagine agora que frente a um grande interesse de consumo que isso proporcione, seja possível estender esse tipo de produto a praticamente todas as classes sociais, oferecendo condições de vendas facilitadas, através de dezenas de parcelas pré- fixadas.

Que a qualidade desse produto e a experiência dessa exibição proporcionem uma revalorização do meio, do prazer de assistir à TV, com poder suficiente para aproximar as pessoas novamente em torno de uma tela principal.

Já pensou?

Se não pensou, já deveria ter pensado. Esse fato vem ocorrendo nos últimos anos, quando o volume de vendas de aparelhos de TV de LED e de Plasma atingiu 40 milhões de unidades e, somente no último ano, representou quase 80% das vendas de TV.

Muito embora essa mudança ocorrida nos lares brasileiros seja indiscutível, a imensa maioria dos anunciantes (com o endosso ou não de suas agencias), ainda produz seus comerciais de TV no formato antigo, fazendo com que, por incrível que pareça, esse novo prazer de assistir à TV não seja também estendido para os comerciais, uma vez que eles são todos exibidos nas novas telas com barras verticais!

Acho incrível que isso persista e o mais absurdo ainda é que ninguém parece enxergar. Se a qualidade dos nossos comerciais é um exemplo de que nos orgulhamos, porque eles praticamente perdem 30% de seu espaço?

Pense no que ganhariam os comerciais de alta qualidade de produção, como o Cirque du Soleil do Bradesco, da Natura, do Itaú, das Havaianas, das Cervejas…

Como é que pode nesse claro momento de melhoria do meio e de maior satisfação dos espectadores, não pegar carona e participar junto?

Que custo é esse que justifica a ausência e essa clara limitação no ar?

Geraldo Leite – geleite@sing.com.br
sócio diretor da Singular, Arquitetura de Mídia