Mídia

SIP discute futuro dos jornais, em SP

Representantes de veículos de países das Américas se reunem durante cinco dias para discutir rumos do jornalismo, liberdade de expressão e modelo de negócios

i 12 de outubro de 2012 - 3h03

A 68a Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) abriu seus trabalhos na tarde desta sexta-feira, 12, em São Paulo, com a previsão de participação de 600 representantes de veículos de vários países da América. Em sua convocatória, o presidente da SIP, Milton Coleman, do jornal The Washington Post, afirma que a assembleia, “sem dúvida, acontece em tempos muito inquietantes” e cita as permanentes ameaças sofridas por jornalistas pelo crime organizado, como também a interferência estatal nos negócios da imprensa e as dificuldades impostas pela era digital ao setor.

“Essa realidade reforça a necessidade de persistir nos objetivos da SIP para promover o jornalismo ético de impacto em todas as plataformas no cada vez mais digitalizado mundo das notícias e das informações”, completa Coleman. Ao longo de cinco dias, jornalistas e dirigentes colocam essas questões em pauta por meio de palestras, debates, oficinas e seminários.

Principal entidade de representação internacional dos veículos jornalísticos na região e porta-voz da defesa da liberdade de imprensa, da democracia e dos valores liberais, a SIP abre as atividades discutindo a relação entre liberdade de expressão, direito a privacidade e o universo da cobertura de celebridades.

Privacidade versus intimidade

O primeiro painel teve a participação da atriz Regina Duarte, para quem a liberdade de imprensa é um valor inegociável, embora devesse haver limites para a atuação de determinados tipos de jornalismo que sobrevive da invasão da vida privada de personalidades públicas, como ela. “A exposição indiscreta dos meus momentos particulares não deveria implicar em conivência?”, questiona Regina. Para a atriz, no entanto, é preciso separar a atuação dos veículos e editores que estimulam a invasão de privacidade e da chamada grande imprensa, que, segundo afirma, “é uma irmã siamesa da democracia”. A partir deste ponto de vista, Regina Duarte entende que não deve haver espaço para qualquer tipo de controle da atuação da imprensa. “A censura sabe utilizar uma única brecha que seja para trilhar”, argumenta. “É melhor conviver com todos os defeitos da liberdade de imprensa a viver um dia que seja sem ela”, conclui.

Além de Regina Duarte, participaram da abertura da Assembleia o CEO da Editora Caras, Edgardo Martolio, de Ellyn Angelotti, do Poynter Institute e da advogada da Folha de S.Paulo, Thais Gasparian. A moderação foi feita pela colunista do jornal O Globo, Patricia Kogut.

A Assembleia Geral da SIP volta a ser promovida no Brasil depois de 31 anos da sua última realização no País, em 1981. Anualmente, a entidade reúne seus associados em dois grandes encontros, dos quais a Assembleia, que sempre acontece em outubro, é o mais importante. No ano passado, a reunião foi realizada em Lima, no Peru. 

Nos próximos dias, temas como liberdade de expressão, repressão a jornalistas na região, futuro dos meios e modelo de negócios frente ao digital serão discutidos com a presença de editores, executivos, dirigentes e pesquisadores. Entre os convidados internacionais, estão o presidente executivo do diário espanhol El País, Juan Luis Cebrián e o CEO do The New York Times, Arthur Sulzberger Jr, que deve aproveitar a vinda ao Brasil para anunciar a versão online do jornal em língua portuguesa, conforme antecipou o Meio & Mensagem.

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