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Trump celebra autorregulação de IA, mas lança super IA

Presidente dos EUA e líderes de big techs fecham compromisso de desaceleração, mas sem valor legal

i 30 de setembro de 2026 - 17h16

Nesta terça-feira, 29, líderes das principais empresas de tecnologia dos EUA se reuniram na Casa Branca para um almoço temático sobre inteligência artificial (IA), organizado pelo presidente Donald Trump e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Mike Johnson.

Entre os convidados, estavam o CEO da Anthropic (proprietária do Claude), Dario Amodei, o CEO da Nvidia (que fabrica os super chips de IA), Jensen Huang, o CEO da Tesla, Elon Musk (que controla a IA Grok), o CEO da OpenAI (que controla o ChatGPT), Sam Altman, o CEO da Meta (cuja ferramenta é a Meta AI), Mark Zuckerberg, e o CEO do Google (que controla o Gemini), Sundar Pichai. A ausência notada foi do novo CEO da Apple, John Ternus, que assumiu no lugar de Tim Cook em setembro deste ano.

Esses líderes e pesquisadores de IA pediram desaceleração no desenvolvimento das ferramentas de grandes modelos de linguagem (LLM) sob o cenário das crescentes preocupações com a segurança, nacional e internacional, inclusive de potencial invasão de computadores por agentes de IA de outros governos.

Os principais destaques do encontro foram: pacto de autorregulação da IA; aposta redobrada na expansão dos parques de data centers, que é a infraestrutura computacional que alimenta a IA globalmente; e o que Trump quer cravar como superinteligência: o presidente, inclusive, assinou ordem executiva pela qual departamentos e agências do governo dos EUA usarão os termos “SI” e “Super Inteligência”, e não devem mais inteligência artificial para definir IA.

Contudo, especialistas acham improvável que o termo ganhe a popularidade desejada por Trump.

Autorregulação de IA

Oficialmente, portanto, esse encontro resultou num documento de IA chamado de “moralmente vinculativo” pelo qual as empresas que desenvolvem LLM se compromete a desacelerar o desenvolvimento dessas ferramentas.

Contudo, é, praticamente, um documento de intenções que não tem valor legal.

Trump disse que o governo dos EUA considera formar um comitê de dez pessoas para supervisionar a indústria de IA. Mas não especificou quando nem quem serão essas pessoas.

Já o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, se referiu ao acordo como uma declaração de princípios que são “voluntários em nome da indústria” e disse que a Casa Branca orientará o desenvolvimento do setor.

Fora do cerimonial da Casa Branca, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, reiterou suas preocupações anteriores sobre IA e disse que as regras para lidar com esses riscos “ainda estão em discussão. Todos precisamos trabalhar juntos para garantir que possamos vencer, e podemos vencer com segurança”, disse Amodei. “Se fizermos isso direito, se trabalharmos com o presidente e todos aqui, podemos vencer com segurança.”

Desaceleração da IA

O CEO da OpenAI, Sam Altman, juntaram-se aos apelos por uma desaceleração, enfrentando colegas líderes da tecnologia e o presidente, que anteriormente criticou os temores de segurança da IA como uma “farsa” e um “golpe”.

Nesta semana, a OpenAI adiou o lançamento de seu mais recente modelo GPT-6.1 Astra devido a preocupações com a segurança. Na semana passada, a empresa afirmou que estava realizando revisão “extensa” do comportamento dos modelos.

O laboratório de IA revelou vários incidentes de comportamento não autorizado de modelos desde que o ataque à plataforma e comunidade de construção, compartilhamento e testagem de IA Hugging Face gerou preocupações sobre a rebelião da IA.

IA do governo dos EUA

Num sinal contraditório, entretanto, ao mesmo tempo que prometeu que as big techs farão a autorregulação de IA, o presidente dos EUS lançou o America.gov, serviço governamental de IA e afirmou: “Nunca vou sufocar o crescimento da tecnologia.” O serviço é o America.gov.

Por meio dessa IA do governo americano, a expectativa é que o cidadão americano poderá recuperar qualquer informação que necessite “instantaneamente, desde que não seja classificada (ou seja, confidencial)”.

Apesar de, no anúncio do America.gov, os porta-vozes do governo afirmarem que que o serviço estará disponível imediatamente, a previsão mais viável é que comece a funcionar no início do ano que vem.

Ainda, Trump afirmou que “nunca vai sufocar o crescimento” da IA que declara ser “maior que a Revolução Industrial”. Disse também que a IA será maior do que a internet e, para cutucar seu maior rival global em IA, que os EUA estão “liderando por muito (a IA)” e até (o líder chinês) Xi Jinping sabe disso. “É tudo entre nós e a China”, discursou, para reafirmar seus objetivos que são ganhar a corrida mundial pela IA.