TV exibe 14,5 horas religiosas por dia
Por semana, as grandes emissoras brasileiras transmitem quase 110 horas de missas, cultos e atrações de cunho religioso; somente SBT não abre espaço para esse conteúdo
Embora mais concentradas nas madrugadas, a religião e a fé ainda são elementos fortemente presentes na TV aberta do Brasil. Das cinco grandes emissoras comerciais do País (Globo, SBT, Record, Bandeirantes e RedeTV), quatro dedicam algum tempo para a exibição de programas relacionados à religião. Por enquanto, apenas o SBT se mantém resistente às Igrejas em sua grade.
Diariamente, a Record, RedeTV e a Bandeirantes exibem, juntas, 15,4 horas de programação religiosa por dia – usando como referência a grade de segunda à sexta. A campeã de comercialização de espaço para as Igrejas é a RedeTV, que “vende” 6,5 horas diárias de sua grade para a Igreja Internacional da Graça de Deus, que são pulverizadas na manhã, noite e madrugadas.
Em segundo lugar na lista vem a Record, que exibe 4,5 diárias dos programas relacionados à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Atualmente, essas produções estão restritas à faixa da madrugada. Em terceiro lugar aparece a Band, com 4,4 horas diárias comercializadas também com a Igreja Internacional da Graça de Deus, que, na emissora, exibe as atrações Show da Fé (que há anos ocupa o horário nobre da Band) e o programa Vida Vitoriosa.
Os valores pagos pelas entidades religiosas são mantidos em sigilo pelas emissoras. Sabe-se, entretanto, que as cifras são bem altas e, em muitos casos, impulsionam o faturamento geral dos canais.
Globo e SBT: fora da Igreja
Embora a Globo também abra um pequeno espaço para a religião em sua grade (com o programa diário Sagrado e a exibição da dominical Santa Missa em Seu Lar, com o Padre Marcelo Rossi), a situação dela é diferente das outras emissoras porque os espaços para essas transmissões não são comercializados. De acordo com a justificativa da própria Globo, o programa Sagrado (que fala sobre a diversidade religiosa do País) é uma produção da Fundação Roberto Marinho, enquanto a Santa Missa é uma transmissão normal da própria TV.
Por enquanto, quem está com as portas totalmente fechadas para o conteúdo religioso ainda é o SBT. Essa postura faz com que a emissora de Silvio Santos seja o alvo mais cobiçado das congregações evangélicas e acumule propostas milionárias para a ocupação de espaços na grade. Nessa terça-feira, 26 de julho, uma reportagem publicada na Folha.com garantiu que o SBT estaria bem próximo de aceitar uma oferta de R$ 300 milhões por ano feita pela Igreja Mundial do Poder de Deus.
Procurada pela reportagem, a emissora, por meio de sua assessoria de imprensa, nega o recebimento e a aceitação da oferta. Essa é a resposta padrão que o SBT, que está prestes a completar 30 anos em agosto, sempre dá a respeito das especulações acerca da abertura do espaço para as igrejas.
