Quem vai decidir sua compra na era da IA?
A partir de agora, vamos competir com qualquer coisa que resolva um problema
Durante muito tempo, coube a cada um de nós decidir qual produto vamos comprar. E pra fazer isso, nos acostumamos a entrar numa jornada com muitas etapas.
Mas estamos vivendo um tempo em que essa lógica está mudando. E bem rápido.
É possível que alguma compra sua, num futuro próximo, tenha sido escolhida não por você, mas por sua IA de estimação.
Sem que percebamos, a IA se tornou uma realidade no ambiente digital. Quase todas as nossas pesquisas já são guiadas por IA. Basta fazer uma pergunta ao Google e o Modo IA logo é acionado.
O fato é que para um número crescente de consumidores, a IA começa a se tornar o ponto de partida da pesquisa. E se nossas pesquisas começam pelo problema ou dor a ser resolvido, quem indica as possibilidades de resolução?
Sim. A própria IA.
Ou seja, enfatizando bem pra marcar a transformação: quem vai decidir quais marcas merecem ser consideradas por um humano é a IA.
Agora estamos suavemente entrando na era da IA agêntica. Uma IA será capaz de conduzir os fluxos de compra de forma automatizada e de executar essa compra. Com você aprovando a decisão pelo produto ou não.
Darei um exemplo: um dia no café da manhã você irá falar para Siri que os ovos acabaram. E ao voltar do trabalho, estará na sua portaria uma caixa de ovos enviados pelo iFood, direto de um mercado Pão de Açúcar.
Tudo isso parecia uma realidade distante, mas ela já existe agora. Numa pesquisa do Google & Ipsos, 57% dos brasileiros dizem usar IA na sua jornada de compra. Na mesma pesquisa, 18% afirmam que usariam agentes com frequência, ainda preservando a decisão final, enquanto 13% se dizem confortáveis para delegar praticamente todo o processo.
Mas por que isso é importante para nós, marketeiros?
Nesse mundo em que Humanos e IAs compram, abre-se um novo campo de públicos na estratégia: as IA agênticas. As marcas passam a disputar a preferência das pessoas e a consideração dos sistemas que agem em nome delas.
E nós precisamos preparar o ambiente de comunicação para que ele atinja efetivamente cada um dos públicos: sejam as audiências humanas, ou as plataformas de IA.
A partir de agora, vamos competir com qualquer coisa que resolva um problema.
A IA é quem vai decidir se o resultado de busca para “o melhor desodorante para se sentir seguro o dia inteiro” é o Rexona 72h, o Perspirex ou a Pedra Hume que viralizou no TikTok e teve um aumento repentino de consumo.
Informação confiável será importante para as IAs. Conteúdos institucionais, páginas de produto, benefícios claros, reviews técnicos, FAQs. Todas essas ferramentas passam a ter relevância estratégica primária.
Mas nesse novo mundo, as pessoas continuam desejando, confiando, lembrando e podem interferir na escolha.
A comunicação mais emocional, brand experience, conteúdos de influência e a construção do Brand Equity se tornam cada vez mais relevantes para gerar consciência, confiança e conexão emocional. Essa intimidade com a marca vai trazer intencionalidade ou lembrança quando ela precisar decidir.
Assim, quando uma IA disser que Pedra Hume é a solução, esperemos que a lembrança de Rexona seja grande o suficiente pra fazer um humano desfazer essa decisão.
Brincadeiras à parte… a comunicação estratégica se tornou mais valiosa do que nunca.
E nesse campo em que as marcas precisam ser compreendidas pelas máquinas, se torna mais especial ainda nossa capacidade de torná-las desejadas pelas pessoas.