Trabalho leva 37% das mulheres a adiar exames de saúde
Estudo revela que 11% estão há mais de dois anos sem realizar mamografia e evidencia desafios do autocuidado feminino
Nova pesquisa da Catho revela que 37% das mulheres adiam ou remarcam consultas, exames e check-ups devido à rotina de trabalho. Além disso, 23% afirmam nunca ter realizado uma mamografia e 11% estão com o exame atrasado há mais de dois anos, entre as respondentes para as quais o exame se aplica.
Os dados destacam como a conciliação entre vida profissional, responsabilidades pessoais e cuidado com a saúde ainda é um desafio para parcela significativa das mulheres. Enquanto 16% afirmam que a rotina de trabalho é uma barreira, 4% relatam que não costumam fazer acompanhamento de saúde. No levantamento, realizado com 478 mulheres, 43% dizem conseguir organizar a rotina e cuidar da saúde sem dificuldades.
Quando estas mulheres são mães ou gestantes, a situação ganha novas camadas de complexidade. Entre o grupo, que representa 63% da amostra, 43% apontam a sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios após a maternidade, e 45% destacam que a maternidade também impactou sua evolução profissional.
“O fato é que falar sobre saúde da mulher no ambiente de trabalho também significa falar sobre tempo, flexibilidade e condições para que ela consiga cuidar de si. O Outubro Rosa é um momento importante para reforçar a importância da prevenção, mas o cuidado não pode depender apenas de um mês do ano. Quando uma mulher precisa constantemente escolher entre uma demanda profissional e uma consulta ou exame, temos um sinal de que o bem-estar precisa ser incorporado de forma mais concreta à rotina das organizações”, pontua Patrícia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
Impacto no diagnóstico e tratamento do câncer de mama
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que 73.610 novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados por ano no Brasil, e outras projeções recentes apontam que o número pode chegar a cerca de 78,6 mil. Para Patrícia, os números e a nova pesquisa reforçam a necessidade de ampliar o olhar sobre saúde e bem-estar no ambiente corporativo, e que, além de benefícios pontuais, as empresas podem contribuir para uma cultura em que consultas, exames preventivos e demais necessidades de saúde sejam percebidos como prioridades de autocuidado.
A responsabilidade já está garantida pela legislação brasileira, com as leis nº 15.377, de 2 de abril de 2026, que alterou a CLT, e a Lei nº 14.758/2023, que instituiu a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS.
A lei de 2026 determinou que as empresas devem divulgar campanhas oficiais de vacinação, orientadas pelo Ministério da Saúde, promover ações de conscientização sobre o HPV e os cânceres de mama, colo do útero e próstata, e orientar os funcionários sobre o acesso aos serviços de diagnóstico. Além disso, o trabalhador tem o direito de se ausentar do trabalho por até 3 dias a cada 12 meses, sem prejuízo do salário, para realizar exames preventivos de câncer e do HPV, e as empresas são obrigadas a informar os funcionários sobre esse direito.
A Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS garante o atendimento integrado por equipes multidisciplinares, institui o acompanhamento e direcionamento do paciente desde a suspeita até o tratamento, além do reforço nas ações de detecção precoce da doença e dos cuidados paliativos para o alívio do sofrimento e tratamento da dor. A constituição também garante que o paciente com câncer inicie o primeiro tratamento no SUS em até 60 dias, e que o exame de mamografia de rotina seja fornecido às mulheres a partir dos 40 anos pelo SUS.