Justiça suspende exposição da Fatal Fans no Corinthians
Liminar da Vara da Infância estabelece 15 dias para remoção da marca da empresa dos uniformes e canais do clube

Justiça suspende divulgação da Fatal Fans no Corinthians para proteger o público infantil (Crédito: Ricardo Moreira/Getty Images)
Nesta quinta-feira, 1 de outubro, a Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé determinou a suspensão imediata do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans, após a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo.

Corinthians e Fatal Fans: entenda a polêmica
A proibição se refere à exposição, divulgação ou promoção da marca e determinou o prazo de 15 dias para a retirada ou cobertura da marca nos uniformes, espaços esportivos, canais digitais do clube e outras áreas, além da remoção de links para a plataforma disponibilizados em canais do clube.
A decisão, no entanto, não encerra o contrato de patrocínio mas entende que existia perigo do dano, diante do risco concreto à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento sadio de crianças e adolescentes.
O processo tramita em segredo de justiça.
Cifrões expressivos e resistência extracampo
Avaliado em R$ 22 milhões até o final de 2027, com potencial de atingir R$ 31 milhões em caso de renovação, o acordo envolv a exposição da marca, desenvolvida pela software house Atlas Technologies, no calção do futebol profissional masculino, além de aportes no basquete, futsal e futebol feminino, modalidade em que o espaço comercial cedeu lugar à campanha “Respeita as Minas”.
Contudo, a parceria vinha acumulando forte oposição extracampo, materializada em representações enviadas ao MPSP por parlamentares e associações de defesa da infância, denúncias no Conar e petições públicas contra a exposição de plataformas adultas no ecossistema esportivo.
Blindagem contratual e salvaguardas regulatórias
Antes da determinação judicial, a patrocinadora defendia que a veiculação tinha caráter estritamente institucional e não erótico, focado no posicionamento corporativo do grupo.
Para mitigar controvérsias, o próprio contrato previa cláusulas que proibiam a aplicação da logomarca em uniformes infantis ou das categorias de base, o uso da imagem de atletas do clube em materiais da plataforma e o cumprimento imediato de ordens de adequação jurídica, preceito que passa a ser aplicado com o cumprimento da liminar.