Ponto de vista

Os ídolos e os negócios

i 7 de julho de 2011 - 6h57

O momento atual do futebol brasileiro, em que cada vez mais clubes buscam valorizar seus negócios com a presença de ídolos, comprova que enfim estamos vivendo uma realidade que durante anos parecia inviável.
Por muito tempo defendi a tese que somente a presença de ídolos nos clubes brasileiros criaria um cenário mercadologicamente favorável em torno das marcas das entidades, transformando nosso futebol em uma Indústria de consumo e não apenas de exportação de jovens e promissores atletas.
Sempre fui tratado como sonhador, pois meus críticos acreditavam que somente transferindo jogadores para o exterior os clubes teriam condições de se viabilizar financeiramente.
Ainda bem que o cenário mudou e acredito que deve se intensificar para os próximos anos, com mais empresas interessadas em se envolver com os clubes, por meio de seus ídolos para atingir o consumidor.
Dois casos comprovam que essa realidade tão difundida na Europa, chegou para ficar no Brasil, os casos do Ronaldo no Corinthians e mais recentemente Neymar no Santos.
E é sempre bom lembrar que ter craques em campo, também contribui para a conquista de títulos, isso ocorreu com ambos, especialmente o Santos, que com o craque em campo, assegurou a presença no mundial interclubes da FIFA no final do ano, depois do tão sonhado terceiro título da Libertadores.
Ronaldo e Corinthians
Todos acreditam que o Ronaldo foi decisivo para fortalecer a marca do clube e os números comprovam isso. Para fazer a comparação utilizei os dados do clube de 2008 para 2009.
Em 2008 o Corinthians gerou R$ 24,7 milhões em patrocínios, valor que atingiu R$ 37,6 milhões em 2009, evolução de 52%. Já as receitas de bilheteria no mesmo período passaram de R$ 16,6 milhões para R$ 27,6 milhões, crescimento de 67%. Claro que o marketing corintiano tem muitos méritos nessa evolução, mas sem dúvida uma parte muito representativa desse crescimento se deve a vinda do Fenômeno. Somente considerando essas duas receitas em um ano o clube ampliou seu faturamento em R$ 23,9 milhões.
Neymar e Santos
O caso do jovem craque Neymar é mais recente e pelo visto pode se transformar em um case de marketing esportivo, caso o Santos consiga segurar o atleta. Pelos meus cálculos, o craque vale muito mais atuando no Santos do que transferido para um clube europeu, até porque uma parte importante do valor da multa rescisória não ficará com o clube. Para fazer a comparação utilizei os dados do clube de 2009 e 2010.
Em 2009, o Santos gerou R$ 17,8 milhões em patrocínios, valor que atingiu R$ 29,9 milhões em 2010, evolução de 68%. Já as receitas de bilheteria no mesmo período passaram de R$ 9,6 milhões para R$ 19,5 milhões, crescimento de 104%. O clube implementou diversas ações que ajudaram a incrementar suas receitas, mas está claro que o craque santista contribuiu decisivamente para esse crescimento. Somente considerando essas duas receitas em um ano, o clube ampliou seu faturamento em R$ 22 milhões.

* Amir Somoggi é diretor de consultoria em gestão esportiva da BDO