Mídia

ABTA 2011 debate a Netflix

Mesmo ausente da feira e congresso, novo player domina as discussões sobre distribuição de conteúdo

i 10 de agosto de 2011 - 8h53

A Netflix foi o não convidado mais comentado da festa. Na terça-feira, 9, primeiro dia da ABTA 2011 – Feira e Congresso da indústria de TV por assinatura que acontece até quinta-feira, 11, no Transamérica Expo Center em São Paulo – o novo player da distribuição online de conteúdos audiovisuais mediante assinatura que já teve sua entrada anunciada no mercado latino-americano e brasileiro, foi o destaque do painel que discutiu o futuro do setor no Brasil. No encontro, estavam alguns dos principais dirigentes do segmento de conteúdo e distribuição de TV paga do País.

O painel teve como palestrante o presidente da NBC Universal International, Jeff Shell. O dirigente da divisão internacional da gigante que fatura US$ 54 bilhões/ano em produção e distribuição de conteúdos e que se autodenomina a maior empresa global de mídia fez um retrato bastante otimista sobre os negócios da Universal no Brasil. Para o conglomerado – que une TV aberta, a rede de cabos Comcast, diversos canais de TV por assinatura, além de estúdio de cinema e os parques temáticos –, o Brasil reúne diversas condições favoráveis ao segmento de conteúdo, como por exemplo sólidos grupos familiares de mídia que têm compromisso com o sucesso do negócio no longo prazo, qualidade em produção local, inovação e economia em destaque.

Sua apresentação foi seguida de debate entre os CEOs José Félix, da Net; Alberto Pecegueiro, da Globosat; Antonio João Filho, Via Embratel; Fernando Medín, Discovery Brasil; e Paulo Cezar Teixiera, da unidade de mercado individual da Telefonica/Vivo. Houve unanimidade nas previsões sobre o movimento crescente do mercado assinante, dada a demanda das classes emergentes e maior exigência por novidades das faixas mais abastadas. Também houve alguma queixa diante do que os operadores classificam como excesso regulatório – em especial por parte da Net.

Mas quando veio à tona a nova entrante, Netflix, a questão mostrou ser motivo de debate no mercado. Fernando Medín acredita que a figura do programador continuará fundamental para organizar a oferta de conteúdo para o cliente. “E nisso as marcas têm papel fundamental. Dependerá do programador manter o modelo, nutri-lo e fazer crescer”, disse. Já Alberto Pecegueiro foi enfático: “A última coisa que se pode em relação à Netflix é subestimar”. Segundo ele, no mercado brasileiro já há abundância de canais nos pacotes básicos com filmes de acervo, que é o material-base do serviço não-linear da Netflix. José Félix lembra que a Net já se antecipou à novidade, lançando ela mesma o serviço Now aos seus clientes. “Só no mês de julho, foram 750 mil stramings, 90% deles gratuitos”. Paulo Cézar Teixeira e Antônio João Filho chamaram atenção para as questões de tráfego na rede de banda larga. Nos EUA, a Netflix é responsável por cerca de 30% do tráfego de vídeo online, e as operadoras estão ameaçando cobrar por isso.

Após o debate, fora da sala, o palestrante inicial do painel, Jeff Shell, deu à reportagem do Meio & Mensagem o tom que prevalece para o produtor de conteúdo: “Para nós, a Netflix é mais um comprador. E o que acontece é que os clientes do serviço nos EUA preferem mais comprar as temporadas completas dos seriados do que filmes isolados”. Para quem tem propriedades como os seriados Heroes, House e Law & Order, em diversas temporadas, mais esta janela de exibição paga soa perfeita.

Esportes

Shell afirmou também que os investimentos em esportes da NBC se mantêm no mercado doméstico norte-americano, já que ele não vê propriedades passíveis de interesse por aqui; tampouco o conglomerado pensa em participar em outras sociedades da mídia local, para além das atuais joint-ventures que tem com a Globosat (nos canais Universal e também na Rede Telecine). Mas a NBC pretende atuar bem próxima às empresas da Globo nas Olimpíadas de 2016, já que terá os direitos exclusivos do evento para todas as mídias eletrônicas nos EUA. A NBC fez negociação junto ao COI dos próximos cinco Jogos Olímpicos (inclui os de inverno), por um valor de US$ 4 bilhões.

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