Mídia

Festival de Miami reúne cinema brasileiro

Organizadora do evento, Inffinito lança ferramenta online para o mercado audiovisual

i 26 de agosto de 2011 - 12h28

*De Miami

Foi apresentada nesta quinta-feira, 25, ao mercado de audiovisual reunido para o Festival de Cinema Brasileiro de Miami (15th Brazilian Film Festival of Miami), uma nova plataforma para viabilização e venda de conteúdos pelos seus produtores, que dispensa a figura de intermediários. Trata-se da ferramenta digital MediaFundMarket, que pretende ser uma plataforma permanente de negócios para o produtor e também para quem compra conteúdos. A ideia é facilitar a vida dos autores na captação de recursos e também na hora de oferecer seus produtos prontos para compradores internacionais.

O novo portal, definido por seus idealizadores como uma espécie “Facebook do conteúdo audiovisual”, foi desenvolvido pela Inffinito, empresa que criou e organiza o festival de Miami, assim como os festivais de cinema brasileiro de Londres, Montevidéu, Buenos Aires, Vancouver, Roma, Barcelona e Nova York, além da brasileira Canudos. A ferramenta tem patrocínio do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual.

“Criamos essa plataforma ne negócios para suprir o produtor, pois percebemos, depois de tantos anos no segmento, que há uma demanda que merece atenção, tanto da parte de quem quer participar de uma produção, como de quem busca comprar ou vender uma obra pronta. É muito difícil para o produtor de conteúdo viajar para captar ou para vender seu filme”, explica Adriana L. Dutra, uma das três sócias da Inffinito, ao lado da irmã Cláudia Dutra e de Viviane B. Spinelli.

O portal – que entra em funcionamento em setembro -, servirá como uma rede de relacionamentos entre produtores, público e compradores de conteúdo, e é dividido em dois canais: Fund, para captaçao de recursos, e Market, para compra e venda.

No primeiro, qualquer pessoa, seja um indivíduo ou empresa, pode participar de um projeto apresentado e previamente aprovado com uma doação – o valor mínimo depende do total do projeto, mas por exemplo, pode ser possível doar R$ 20,00 para a realizaçao de algum projeto, e o produtor é quem indicará as recompensas que cada doador pode receber, como por exemplo, nome nos créditos da obra, ingressos para pré-estreia etc. As doações podem ser feitas via cartão de crédito, com pagamento assegurado pelo sistema PayPal. São esperados projetos de roteiristas, pesquisadores, artistas e organizações sem fins lucrativos. A ferramenta não serve para doações que fazem uso de leis de incentivo.

Já o canal de Market dá a quem se inscreve uma senha por meio da qual se tem acesso a um banco de dados de compradores e vendedores de conteúdos. O canal funciona como uma plataforma para “screenings”( exibição exclusiva de vídeos a potenciais compradores) codificada e com segurança antipirataria. Neste canal, não há nenhuma mediação de negócios, que podem ser fechados de maneira independente entre as partes.

Sobre a estratégia, Adriana diz que a Inffinito se baseou no “crowdfunding”. Ela lembra que o termo não tem muito uso no Brasil, mas que se espalhou há 14 anos, quando os fãs da banda Marillon financiaram uma turnê do grupo a partir do investimento individual.

As regras para doação serão estabelecidas entre o produtor e seus colaboradores – o Media Fund apenas adminstra a plataforma e assegura seu funcionamento e idoneidade. Por enquanto, só serão aceitos projetos de até R$ 1 milhão, com prazo máximo de 180 dias para captaçao – com 80% do orçamento coberto, o produtor já recebe o montante. Caso não atinja sua meta, tudo será devolvido aos doadores e nada é cobrado do produtor. O adminstrador do MediaFundMarket fica com 4% do valor do projeto como contrapartida a seu trabalho na plataforma.

Podem ser inscritos trabalhos como longas e curtas-metragens, videoclipes, conteúdos para TV, além de roteiros, festivais e mostras, e obras para divulgaçao e pós–produçao de conteúdos audiovisuais. Até 2013 a meta é reunir apenas conteúdos brasileiros, abrindo para a América Latina a partir de 2014, de acorco com Adriana Dutra.

O Festival

O 15th Brazilian Film Festival of Miami começou no sábado, 19 e vai até sábado, 27 no colony theather, de Miami Beach. Com a assinatura No Limits for Brazilina Cinema (sem limites para o cinema brasileiro), o evento tem patrocínio da Petrobras e da Redecard.

A mostra teve teve entre seus curadores Fernando Meirelles, Paula Barreto, Paulo Sérgio Almeida, Iafa Britz, marco Aurélio Marcondes e Bianca de Felippes. Entre os longas-metragens do festival esão Além da Estrada, de Charly Braun; Nosso Lar, de Wagner de Assis; De Pernas Pro Ar, de Roberto Santucci; Desenrola, de Rosane Svartman; Malu de Bicicleta, de Flávio Ramos Tambellini; Bróder, de Jeferson De; Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo, de Hugo Carvana; Boca do Lixo, de Flavio Frederico; 180º, de Eduardo Vaisman; Cilada.com, de José Alvarenga Jr.; VIPs, de Toniko Melo; Qualquer Gato Vira-Lata, de Tomás Portella; Muita Calma Nessa Hora, de Felipe Joffily; e Família Vende Tudo, de Alain Fresnot. Há também curtas, como: Assim Como Ela, de Flora Diegues; 3X4, de Caue Nunes; A Casa das Horas, de Heraldo Cavalcanti, entre outros.

A mostra é competitiva e no júri estão profissionais e críticos do mercado americano, sob a presidência de Maria Arlete Gonçalves, diretora de Cultura do Oi Futuro e gestora do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados.

Neste ano, há na Miami Beach Cinematheque uma mostra paralela em homenagem a Arnaldo Jabor, cujo filme A Suprema Felicidade encerra o festival.

* A jornalista viajou a convite dos organizadores do Festival

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