Um remake chinês de “Gossip Girl”?
A Metan Development Group aposta que o seriado será um grande atrativo para os anunciantes locais
O seriado “Gossip Girl” é um sucesso na China a ponto de Blake Lively e Ed Westwick, protagonistas, serem nomes reconhecidos no país. Mas, um remake chinês produzido em Xangai pode ser tão popular quanto o original: A empresa de mídia Metan Development Group, fundada por veteranos de Hollywood (inclusive o cofundador do E! Entertainment, Larry Namer), já produz conteúdo para os telespectadores chineses. É o caso do “Hello! Hollywood”, programa em mandarim que mostra notícias de celebridades e entretenimento. Entre os novos projetos da Metan, está o de montar uma versão chinesa de “Gossip Girl”, programado para estrear no ano que vem.
Anunciantes da China, especialmente as empresas do segmento de luxo, estão excitados com as oportunidades de patrocínio. Namer não dá detalhes sobre os valores dos anúncios, mas disse que o programa oferece “oportunidades reais em integração, não apenas na TV, mas também para internet e celular”. A ansiedade dos anunciantes em associar suas marcas ao programa, em parte, decorre da forte popularidade de programas de TV americanos na China – foi assim com “Heroes” e “Prison Break”. Os programas e suas respectivas estrelas tornam-se lendas da cultura pop na China. O ator Wentworth Miller (Michael Scofield, personagem principal de Prison Break), por exemplo, já fez comerciais para a Ford da China.
Ironicamente, nenhum desses programas é transmitido de forma legal na China. Os espectadores baixam a programação por meio de arquivos torrente (transferência de arquivos peer-to-peer, em geral, de forma ilegal) para computadores domésticos e assistem online, por meio de compartilhamento em sites como Youku e Tudou, com legendas feitas em mandarim praticamente poucas horas depois da primeira transmissão do programa nos Estados Unidos. Os chineses também compram DVDs piratas em lojas ilícitas. As séries mais cultuadas, no entanto, especialmente entre os jovens e ricos chineses e, fato que intriga os anunciantes locais, entre aqueles que desejam ser ricos, são sempre as atuais.
Mesmo com toda essa popularidade, os remakes podem ser arriscados para as marcas porque devem equilibrar duas forças que estão em constante conflito na China – as agendas políticas dos reguladores da TV da China e o gosto dos espectadores locais -, e ainda se preocupar com a falta de qualidade das produções na comparação com os mercados ocidentais.
As versões locais de programas ocidentais são recebidas de forma mista pelos espectadores chineses. “Musical Youth”, versão chinesa de “High School Musical” (da Disney) fracassou no ano passado. O remake de “Ugly Betty”, chamado de “Ugly Wud,i”, teve boa recepção durante quatro temporadas, mas enfrentou grande reação ao ser usado de forma ostensiva por patrocinadores como Unilever e Bausch & Lomb.
Por Normandia Madden, do Advertising Age.
