IQ Era: a fusão entre conectividade e IA no radar do MWC 2026
Completando vinte anos, Mobile World Congress propõe novo paradigma da infraestrutura inteligente
Barcelona completa duas décadas como casa do Mobile World Congress e, ao acompanhar de perto mais uma edição do evento, fica claro que o congresso atravessa uma transformação importante e profunda: de um evento centrado somente em dispositivos móveis, ele passa a se posicionar como um palco onde agentes do universo cloud, semicondutores e empresas de diferentes nichos discutem produtividade, automação e risco.
Em minha sexta participação no MWC, o encontro impressiona não apenas pelos seus números impressionantes — como os € 6,9 bilhões de impacto econômico acumulado ao longo de duas décadas —, mas também pelo viés de uma maturidade tecnológica do mercado.
Ou seja, se antes o furor estava restrito aos novos e pontuais lançamentos, o primeiro dia desta edição deixou claro que o foco agora é fazer a tecnologia funcionar na base e transformar a promessa da IA em capacidade operacional real.
Do 5G ao “The IQ Era”
A narrativa central que dominou os corredores da Fira Gran Via, sede do MWC, foi que entramos na “The IQ Era”, conceito que liga os pontos da conectividade e da inteligência: hoje, não basta conectar ativos e pessoas; é preciso interpretar, prever e agir, com governança, segurança e impacto econômico mensurável.
Assim, a mensagem da GSMA – a associação global dos fabricantes e operadores de telefonia móvel – logo na abertura, foi um chamado ao realismo e reforçou três prioridades que são a base para o avanço dessa perspectiva:
● Acelerar a adoção de 5G standalone (arquitetura de rede com uso exclusivo do padrão 5G);
● Avançar em IA aplicada;
● Fortalecer a segurança digital como resposta ao aumento de fraudes e golpes.
O debate sobre AI RAN (Radio Access Network), que vinha amadurecendo nos bastidores dos últimos anos, ganhou contornos práticos dentro desse contexto. Pela primeira vez, não se falou apenas em potencial, mas em cronogramas de implementação e casos de uso definidos.
E um dos momentos mais simbólicos, nesse sentido, foi a demonstração da parceria entre Nokia e NVIDIA, evidenciando como a rede pode operar como plataforma de computação distribuída, processando inteligência no edge para viabilizar automação em tempo real.
Os três pilares do pragmatismo
Seguindo nessa linha, o primeiro dia de MWC 2026 referendou as prioridades do setor em três eixos muito claros:
1. IA operacional: O holofote não está mais em “soluções de demonstração”, mas na IA que reduz falhas e custos em ecossistemas complexos, com a indústria sendo cobrada para transformar o potencial em capacidade operacional real;
2. Conectividade total: A corrida pelo satélite direto no celular avança e a busca agora é pela continuidade total da conexão em setores com operações distribuídas e críticas;
3. Segurança digital: A segurança digital passa a ser base estratégica da mobilidade com o aumento de fraudes que elevam o custo econômico e o risco sistêmico das falhas de governança e controle.
Brasil no mapa e o horizonte do 6G
Para o público brasileiro, um ponto alto foi a menção às parcerias ampliadas envolvendo a TIM Brasil na agenda de AI RAN, aproximando o país do debate global em torno da monetização de dados.
E, ao mesmo tempo em que o mercado ainda trabalha para fechar a conta do 5G Standalone, o 6G já começou a aparecer nas discussões, sinalizando que a indústria não pretende tirar o pé do acelerador da disrupção móvel.
Além disso, a preocupação com a baixa latência em campo — vital, por exemplo, para o futuro dos veículos autônomos — reforça que cada milissegundo de processamento na ponta será o novo diferencial competitivo.
Conclusão
Após 20 anos em Barcelona, o Mobile World Congress ganha, de fato, novas camadas de maturidade. O evento continua sendo palco do futuro, mas agora a partir de uma lógica de mais execução e enfrentamento de dores reais do mercado e da sociedade, com o “Dia 01” deixando claro que a próxima fronteira tecnológica não será definida apenas por quem conecta mais, mas por quem transforma essa conectividade em inteligência aplicada.