eShow Madri: a hora de conquistar os conquistadores
Com preços competitivos, conhecimento mais avançado e sofisticado que os colegas espanhóis, empresas digitais brasileiras têm uma boa janela de oportunidade nas mãos
POR EDUARDO MUNIZ
Sócio-Diretor da Vitrio
O que um evento de e-commerce e marketing digital na Espanha tem a ver com o Brasil? Que interesse teria e que oportunidades haveria para brasileiros no mercado espanhol? A princípio, muitas.
A edição do eShow deste ano aconteceu semana passada, entre 8 e 9 de outubro, em Madri, no principal local de eventos da cidade, o IFEMA (uma espécie de Riocentro ou Anhembi com uma infrastrutura dez vezes maior e melhor).
Estava eu lá, entre os vários palestrantes do calibre do Steve Wozniak, fundador da Apple, em busca de oportunidades de negócios.
O fato do evento ter aberto espaço para palestrantes da América do Sul demonstra o interesse de empresas europeias em atuar e investir nos mercados emergentes do continente americano.
No primeiro dia, apresentei o cenário digital da América Latina. Os altos índices de crescimento do e-commerce e marketing digital chamaram a atenção dos presentes abrindo espaço para perguntas e debates.
Ao mesmo tempo em que o mercado latino americano demonstra forte e consistente crescimento ainda existe espaço para grandes investimentos no setor. Com a economia europeia e, principalmente, espanhola ainda não dando sinais de recuperação, a possibilidade de entrar num mercado cinco vezes maior que o espanhol animou aos empresários e profissionais presentes.
Além dos motivos financeiros, outro ponto que destaquei foi o cultural. Afinal de contas, a Espanha é o “pai” de todos os países sul-americanos, com a exceção do Brasil e, mesmo assim, o Tratado de Tordesilhas permitiu que os espanhóis tivessem sua parte do País durante um momento na história.
Os valores morais, familiares e comportamentais são muito similares entre os países da América do Sul e a Espanha, o que faria com que a abordagem de marketing, comunicação e especificação de produtos fossem mais fáceis de interpretar.
Obviamente, o idioma parece igual, no entanto, há algumas diferenças significativas para levar em consideração. Morei anos na Argentina, de onde liderava a operação digital latino-americana da DIRECTV, e conheço bem as nuances marketeiras de cada país. Empresas que entenderem este cenário poderão conquistar espaço no mercado ibero-americano.
No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o de que o mercado digital e de e-commerce no Brasil não devem nada para o espanhol. Muito pelo contrário! Talvez pela crise, este mercado ficou estagnado e as empresas na Espanha estão discutindo coisas que já discutimos há dois anos no Brasil.
Ou seja, há uma oportunidade interessante no horizonte. Com preços competitivos, conhecimento mais avançado e sofisticado que os colegas espanhóis, as empresas brasileiras têm uma boa janela de oportunidade nas mãos. Têm plenas condições de competir de igual para igual e em muitos casos até se destacarem mais no mercado do que a média das empresas locais.
Nos segundo e último dia, Mauricio Salvador, presidente da Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), apresentou dados e estatísticas do mercado brasileiro. O interesse por investir no Brasil continuou com algumas perguntas sobre a carga tributária e barreiras de entrada.
A conclusão do evento de Madri é: há espaço para as empresas brasileiras (e latino-americanas) competentes entrarem no mercado de e-commerce espanhol porque seu estado é bastante básico.
Depois de termos sido conquistados, temos uma oportunidade para sermos os conquistadores no ambiente digital.