Como os jovens encaram o trabalho no Brasil?
Pesquisa da Fundação Itaú apontou que 70% dos jovens entre 16 e 29 anos trabalham e revela percepções
A Fundação Itaú apresentou o estudo Juventudes e o Mundo do Trabalho, que busca compreender sob a ótica dos jovens os sentidos atribuídos ao trabalho na atualidade. A pesquisa revelou que sete em cada dez jovens de 16 a 29 anos no Brasil declaram estar trabalhando.

Cerca de um em cada três jovens (32%) concilia trabalho e os estudos (Crédito: Seventyfour-AdobeStock)
Atualmente, cerca de um em cada três (32%) concilia trabalho e os estudos, enquanto 39% se dedicam apenas ao trabalho e 16% exclusivamente aos estudos. Os jovens brasileiros que não estudam e não trabalham somam 13%.
A pesquisa teve apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva e ouviu mais de 1.800 jovens de 16 a 29 anos em maio de 2026. O estudo ainda contou com uma etapa qualitativa e revelou como as desigualdades de raça, gênero e outras questões estruturais afetam a forma como as juventudes se relacionam com o universo do trabalho.
Entre os jovens de classe A/B, os que somente trabalham somam 28%. Na classe C, eles são 39% e 47% na classe D/E. A região Centro-Oeste do País é a que tem a maior parcela de jovens que apenas trabalham: 51%, contra 39% da média nacional.
Segundo a pesquisa, entre os que conciliam trabalho e estudo, 38% são brancos e 29% negros. No grupo que não estuda e não trabalha, o maior percentual é de mulheres (17%). Os homens são 9% e 29% do grupo tem filhos. Os jovens ainda enfrentam outros desafios que impactam seu acesso.
A metade (50%) declara que são responsáveis por cuidar da casa, tarefa que afeta mais as mulheres (60%) do que os homens (40%). Os cuidados com idosos, crianças e outras pessoas também foi declarado por 21% dos entrevistados.
Informalidade e empreendedorismo
Entre os 70% dos jovens que declararam estar trabalhando em 2026, apenas 44% são assalariados registrados. De acordo com a pesquisa, 15% são assalariados, mas não têm registro formal; 13% são autônomos ou freelancers; 10% realizam bicos ou trabalhos informais; e estagiários e aprendizes remunerados representam 8%.
As disparidades se repetem no recorte por classes. Enquanto na classe A/B 43% têm emprego com carteira assinada, na classe D/E o índice cai para 35%. Os profissionais sem registro são 21% na classe D/E e 13% na classe A/B.
Em relação à escolaridade, a pesquisa mostra que 34% dos jovens com ensino fundamental fazem trabalhos informais e bicos, frente a apenas 3% entre os que possuem ensino superior. O percentual também é maior entre os moradores do interior (12%) na comparação com os que residem nas regiões metropolitanas (6%).
No levantamento, 30% dos jovens afirmaram que um emprego com carteira assinada representa o que eles querem atualmente. Porém, em uma projeção para os próximos cinco anos, o percentual cai para 16%. Em contrapartida, cresce de 28% na situação para 42% a preferência por um trabalho autônomo no futuro.
A busca por trabalho
No levantamento, 20% dos jovens afirmaram estar em busca por trabalho atualmente. Outros 29% buscaram nos últimos seis meses e, no intervalo de um ano, o número salta para 61%. A falta de experiência seria a principal dificuldade apontada pelos jovens para conquistar um trabalho.
Depois, aparecem outras questões, como a preocupação com a concorrência (39%), a dificuldade de deslocamento e distância até o trabalho (28%), a falta de qualificação ou preparo (25%), a dificuldade de conciliar estudo e trabalho (24%) e a ausência de diploma de ensino médio (19%).
A tecnologia também surgiu como um vetor de inseguranças. Questionados, metade dos entrevistados afirmou ter receio de perder oportunidades de trabalho em função das transformações tecnológicas.
O que pensam sobre o trabalho?
O salário é apontado por 64% dos pesquisados como o fator mais importante na escolha de um trabalho. Depois, aparecem benefícios, plano de carreira e um ambiente de trabalho agradável.
Ainda assim, 62% afirmaram que aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em um ambiente com menos pressão e estresse. Entre os que trabalham ou já trabalharam, 69% já saíram de um emprego por vontade própria.
Os motivos centrais para a decisão foram: falta de respeito ou tratamento inadequado de líderes ou chefes (43%); jornadas longas ou acúmulo de funções (36%); excesso de cobrança ou pressão por resultados (32%); falta de oportunidade de crescimento ou de plano de carreira (28%); e dificuldade de conciliar trabalho e estudo (16%).
Os jovens ainda dividiram as áreas que despertam seu interesse para o futuro no mundo do trabalho. As mais citadas foram saúde (25%) e tecnologia (22%), seguidas por comércio e vendas (19%), trabalho de escritório ou administrativo (19%), educação (16%), beleza e estética (14%) e comunicação e redes sociais (13%).

