Wearables e IoT inauguram a era do “payment of things”
Percival Jatobá, VP de inovação da Visa do Brasil, fala sobre a conexão dos devices inteligentes com as novas formas de realizar pagamentos

Os serviços de pagamento que hoje são possíveis em wearables devem se expandir para outras plataformas
Em dezembro do ano passado, a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) e a Visa se uniram com a proposta de cocriação para buscar novas formas de pagamentos. Os times de inovação das duas empresas se mobilizaram para o desenvolvimento de uma solução de pagamento “mais segura e fluida”. Esse exemplo em que uma empresa de meios de pagamento se une a uma companhia automotiva ilustra a ampliação as possibilidades de novas formas de pagamento em meio a tantos devices.
Na CES, a infinidade de devices conectados e a força dos conceitos de internet of things (IoT) e wearables também representam oportunidades para o setor financeiro. Percival Jatobá, VP de inovação da Visa, explica como o aumento de pontos de contatos, plataformas e devices altera a ideia de cartão ou dinheiro para o conceito de credencial de pagamento.

Percival Jatobá, VP de Inovação da Visa do Brasil (Crédito: Divulgação)
Meio & Mensagem – Como IoT e wearables, dois conceitos de tecnologia muito presentes aqui na CES, impactam o setor financeiro, sobretudo, o de meios de pagamento?
Percival Jatobá – O IoT, sem dúvida, impacta a indústria de pagamentos e muitas outras, do agronegócio à saúde. O fato é que essa realidade somente se dará na medida em que tivermos uma estrutura sólida e robusta via 5G. Como sabemos, no entanto, no Brasil, o leilão das linhas para a tecnologia 5G foi postergado para o final de 2020. Algumas pessoas já acham que essa realidade acontecerá no Brasil apenas em 2021.
M&M – De que maneira esse impacto se concretiza tendo em vista a pulverização de formas de pagamentos e devices conectados?
Jatobá – O que você chama de pulverização nós chamamos na Visa de desconstrução do plástico. Os cartões de crédito ou débito não deixarão de existir, mas darão forma a outras maneiras de pagamento. Seja no celular, na pulseira, no relógio inteligente ou em qualquer device. Recentemente, lançamos uma parceria com a FCA usando uma plataforma automotiva. Ou seja, não há mais limites de plataformas que sirvam como meios de pagamento. A diferença aqui é que você deixa de falar de cartões e começa a usar o termo credencial de pagamento.
“A gestão de dados e a geração de dados afetam a indústria de pagamentos e reacende a discussão sobre a importância do correto gerenciamento do ciclo de vida dos produtos”
M&M – Qual a importância dos dados neste cenário?
Jatobá – É interessante notar que os principais pontos que a gente discute na indústria de meios de pagamento aparecem aqui na CES, não só a questão da internet das coisas, mas também de segurança e gestão de dados. A conversa aqui não é sobre extrair os dados. Isso, no Brasil, aqui, na Europa ou na Ásia, muitos já sabem fazer. O que todos ainda discutem é como computar e monetizar essas informações. Parece que no Brasil, neste aspecto, temos um pouco mais de dificuldade. De qualquer maneira, a gestão de dados e a geração de dados afetam a indústria de pagamentos e reacende a discussão sobre a importância do correto gerenciamento do ciclo de vida dos produtos. Isso tem relação também com a jornada, ou seja, conhecer melhor seu cliente e seu consumidor. Me chamou a atenção, iniciar 2020 discutindo dados.
M&M – Gary Shapiro, CEO da CTA, entidade que organiza o evento, abriu a CES falando que toda empresa deve virar uma empresa de tecnologia por questão de sobrevivência, qual o desafio desta mudança?
Jatobá – Hoje, é impossível discutir um projeto, em qualquer que seja o setor, e não ter tecnologia envolvida. Tanto na solução quanto nos processos. Antes, isso não era uma premissa. Sempre foi difícil o aspecto tecnológico, até caro, muitas vezes. A tecnologia hoje está na área de negócios com um protagonismo muito maior que antes. Vejo também que outro conceito ganha relevância nesta discussão e que é um elemento que é importante para uma empresa de tecnologia, me refiro ao design. O design ganhou muita força e relevância considerando a necessidade de melhorar a experiência do consumidor.
“Ou seja, não há mais limites de plataformas que sirvam como meios de pagamento. A diferença aqui é que você deixa de falar de cartões e começa a usar o termo credencial de pagamento”
M&M – Facebook, Apple, Samsung e outras, as empresas de tecnologia entraram no segmento de meios de pagamento, como você enxerga esse movimento?
Jatobá – Ter novos parceiros e atores em uma indústria é sempre positivo. A gente acredita que tem espaço para todos os participantes, sendo big techs ou não. E a maioria delas já são parceiras da Visa em muitos projetos. Tenho certeza que agregam valor à jornada do consumidor que é tão pulverizada e cada vez mais complexa.