Indo pela terceira vez onde nenhum homem jamais esteve
Há algumas semanas comprei um box de dvds (na verdade uma lata) com as três temporadas completas de Jornada nas Estrelas, a série clássica.
Tinha assistido à série pela primeira vez quando era criança, nos anos 70. E assistido tudo de novo no finalzinho dos anos 80, quando a primeira e a segunda temporada foram reprisadas, acho que na TV Manchete.
Este terceiro encontro com a tripulação da Enterprise tem sido bem interessante. Não só pela oportunidade única para um trekker de poder apresentar um de seus objetos de culto pros filhos, como por poder olhar para os antigos episódios passados tantos anos – e pela terceira vez.
E ao contrário do que se possa imaginar, a série não envelheceu. Pelo contrário, a cada episódio encontro mais e mais referências a questões que enfrento diariamente no trabalho.
Nos anos 90, li um livro que se chamava “Tudo que realmente preciso saber eu aprendi assistindo Star Trek”. Escrito pelo Diretor de Criação de uma agência americana.
O livro traz, sempre com bom humor, uma série de considerações ligando o dia-a-dia da agência e vários episódios de Jornada nas Estrelas. E revendo a série agora, sou forçado a concordar com o autor.
É realmente uma aula de liderança acompanhar o processo de tomada de decisão do Capitão Kirk frente à sua equipe nas situações mais adversas.
O Capitão Kirk nada mais é que um Diretor de Criação, envolvido pelos mesmos dilemas que nos cercam: chamadas de emergência, prazos de vida-ou-morte, forças externas inexplicáveis que se metem na sua vida – e no seu trabalho. E que enfrenta os desafios tendo que encontrar um equilíbrio entre a visão lógica do Sr Spock – a decisão racional de responder ao briefing e entender toda a questão do business do cliente; e o olhar apaixonado do Dr McCoy – a vontade emocional de ousar, sair do lugar-comum, seguir o coração.
E, ao lembrarmos de como ao final de seus 50 minutos, cada aventura – independente das dificuldades enfrentadas pela Enterprise – acabava com a tripulação na ponte de comando rindo de uma piada dita por um dos personagens, fica aquele que talvez seja o ensinamento mais inesquecível de Star Trek para o nosso dia-a-dia: “Termine cada episódio com um sorriso”.
Eduardo Axelrud é diretor nacional de criação da Escala