Women to Watch

57% das mulheres são sedentárias no Brasil

Estudo da Decathlon mostra que insegurança, sobrecarga e falta de rede de apoio dificultam adesão feminina ao esporte

i 29 de abril de 2026 - 15h52

(Crédito: Shutterstock)

(Crédito: Shutterstock)

Mais da metade das mulheres brasileiras é sedentária, mas a explicação para esse cenário vai além da falta de tempo ou motivação. É o que aponta um estudo inédito da Decathlon, realizado em parceria com a Consumoteca, que revela como barreiras estruturais impactam diretamente a prática esportiva feminina no país.

Segundo a pesquisa, 57% das mulheres se declaram sedentárias, índice próximo ao dos homens (54%), mas os motivos que levam a esse comportamento são distintos. Enquanto eles apontam principalmente fatores individuais como falta de motivação (46%) e dificuldade de gestão do tempo (42%), elas enfrentam obstáculos mais complexos e externos, como sensação de insegurança (17%), falta de companhia (21%) e sobrecarga de responsabilidades com filhos (11%).

O estudo, intitulado “O novo significado do esporte no Brasil: onde corpo, movimento e cultura se encontram”, analisou mais de 10 milhões de menções nas redes sociais e ouviu 2.017 pessoas de diferentes regiões, classes sociais e faixas etárias.

Os dados mostram que o interesse pela prática esportiva existe: 71% das mulheres afirmam valorizar uma rotina com atividade física. Ainda assim, transformar essa intenção em hábito continua sendo um desafio.

Desigualdade começa na infância e molda hábitos

Parte dessa dificuldade está relacionada a experiências negativas. Entre as entrevistadas, 16% relatam já ter sofrido assédio ou discriminação durante a prática de exercícios, e 9% dizem ter presenciado esse tipo de situação com outras mulheres. Entre os homens, episódios semelhantes são praticamente inexistentes, com menos de 1% de ocorrência.

A desigualdade também se manifesta desde a infância, influenciando a relação com o esporte ao longo da vida. Meninos são mais estimulados a participar de atividades coletivas e competitivas, enquanto meninas tendem a ser direcionadas a práticas individuais e associadas ao bem-estar.

Esse padrão aparece nos dados. O futebol é praticado por 39% dos homens e apenas 5% das mulheres. Em contrapartida, elas lideram atividades como caminhada (47%), musculação (37%), dança (16%) e pilates (11%).

Mulheres incentivam mais, mas praticam menos

Apesar disso, as mulheres exercem papel central no incentivo à prática esportiva dentro de casa. Segundo o levantamento, 86% afirmam estimular os filhos a se movimentarem, frente a 80% dos homens.

Segundo a Decathlon, os resultados indicam que ampliar a participação feminina no esporte exige mais do que campanhas de incentivo. O desafio passa por transformar o ambiente ao redor dessas mulheres, com incentivo à quebra de barreiras estruturais e a condições reais para que a atividade física deixe de ser apenas intenção e se torne parte da rotina.