Comunicação

Ana Clara Grana: “Principal desafio das agências é ganhar eficiência”

Vice-presidente de operações da Crispin avalia ganho de importância das lideranças de operações em agências

i 31 de março de 2026 - 6h00

Ana Clara Grana

Ana Clara Grana, vice-presidente de operações da Crispin (Crédito: Divulgação)

Recém-contratada para inaugurar o cargo de vice-presidente de operações da Crispin, Ana Clara Grana enxerga que o maior desafio das agências hoje é o ganho de eficiência à medida que o negócio ganha complexidade.

Essa definição cabe à Crispin e justifica a criação da posição de uma liderança em operações: no ano passado, a agência dobrou de tamanho em decorrência do ganho de novas contas.

Cada um dos clientes, aliás, exige sua própria dinâmica de trabalho, o que torna o papel de operações mais estratégico, na visão de Ana Clara, que antes respondeu como sócia e presidente da The Juju.

Na entrevista a seguir, a profissional comenta um pouco mais sobre as transformações que demandam um olhar mais atento das agências em fluxos e processos:

Meio & Mensagem – Cargos de liderança em operações vêm se tornando mais comuns nas agências de alguns anos para cá? Qual é a leitura de vocês sobre o papel da pessoa de operações em um contexto de maior complexidade dos negócios de comunicação e marketing?

Ana Clara Grana – Sim, essa movimentação reflete uma maturidade do mercado publicitário. Por muito tempo, por serem menos complexas, as agências focaram apenas na entrega final, sem dar a mesma atenção para como o trabalho era estruturado e viabilizado.

Hoje, o papel de operações é garantir que a estrutura acompanhe a complexidade do negócio e sustente, na prática, a qualidade e a consistência das entregas. Em um cenário com múltiplos canais, dados e demandas simultâneas, a liderança de operações traz visão sistêmica, organiza fluxos, conecta as áreas e reduz ruídos no dia a dia.

Na prática, meu papel é garantir eficiência e previsibilidade na operação, para que a agência consiga crescer com consistência, manter a qualidade das entregas e operar de forma sustentável.

M&M – Como sua experiência em agências com culturas e estruturas distintas, como The Juju, Almap e W+K, se complementam para sua missão atual?

Ana Clara – Minha trajetória me deu uma visão bem completa do negócio. Em grandes agências, aprendi o nível de exigência e disciplina necessários para sustentar a excelência criativa. No ambiente de tecnologia, vivi de perto a pressão por agilidade e decisões orientadas por dados, dados e mais dados. Já na sociedade e gestão de uma agência, tive a responsabilidade direta sobre operação, pessoas e resultado, com uma visão mais integrada do negócio sempre focado na eficiência para as marcas e clientes.

Hoje, na Crispin, meu papel será justamente combinar esses aprendizados. Trazer mais estrutura e processos, mas sem burocratizar, garantindo eficiência ganhando ainda mais sem perder agilidade.

No fim, é sobre encontrar o equilíbrio entre processo e fluidez, para que a agência consiga crescer, ainda mais, de forma organizada, mantendo a qualidade e sem engessar o trabalho.

M&M – Quais são os principais desafios operacionais das agências em geral e da Crispin, particularmente?

Ana Clara – De forma geral, o principal desafio das agências hoje é ganhar eficiência à medida que a complexidade do negócio aumenta. Com mais canais, formatos e entregas simultâneas, fica mais difícil manter fluxos claros, evitar retrabalho e garantir uma boa integração entre as áreas.

Além disso, existe um desafio importante que é chave: não existe uma única forma de operar que funcione para todos os clientes. Acredito que existe uma esteira base que organiza a agência, mas a operação de cada conta precisa ser desenhada considerando as necessidades do negócio e a cultura de cada cliente que, na maioria das vezes, são diferentes entre si. Equilibrar consistência interna com flexibilidade externa é um dos pontos mais críticos da operação hoje.

Na Crispin, os times trabalham de forma conectada, com troca constante entre dados, mídia, estratégia e atendimento — liderados pelos demais vice-presidentes, como Marcela Ferreira, Renata Serafim e Wilson Negrini, além da nossa managing director, Cassandra Rudinger.

Por isso, nosso foco é dar mais estrutura para algo que já funciona, organizando melhor os fluxos e garantindo que essa integração aconteça de forma ainda mais fluida e consistente no dia a dia. A área de operações entra para potencializar essa engrenagem, conectando ainda mais essas frentes e trazendo mais clareza para a execução.