Formação do profissional de mídia é falha
Grupo de Mídia apresenta nova diretoria e dados sobre o perfil do profissional da área
Depois de dois biênios consecutivos sob a gestão do publicitário Fábio Freitas, o Grupo de Mídia apresentou, nesta terça-feira, 28, durante o Mídia Master, a diretoria que estará à frente do coletivo pelos próximos dois anos. Guilherme Cavalcante, head of connections, media and data da Wieden+Kennedy, e Aline Velha, diretora de mídia do Nubank, serão, respectivamente, presidente e vice-presidente do grupo.

Guilherme Cavalcante, head of connections, media and data da Wieden+Kennedy, e Tiago Santos, co-fundador da Euphoria, apresentaram perfil do profissional de mídia no Mídia Master (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)
A diretoria se debruçará sobre a educação, com o intuito de formar novos profissionais de mídia, em todos os estágios da carreira. O tema da formação do profissional de mídia foi abordado durante a apresentação do grupo no Mídia Master, que dividiu os resultados da pesquisa “Que Mídia Sou Eu”, realizada em parceria com o Ibope. Guilherme Cavalcante apresentou o estudo junto a Tiago Santos, co-fundador da Euphoria.
O levantamento contou com questionários e entrevistas respondidos por 437 profissionais de agências, veículos e anunciantes. O dado mais alarmante é a falta de cursos formativos de qualidade para a formação desses profissionais em conhecimento estratégico, técnico, de dados e de performance.
Os iniciantes na área acreditam que existem muitos cursos disponíveis, principalmente oferecidos por plataformas. Porém, eles não são considerados diferenciais para formação técnica ou progressão de carreira. Os ligados às plataformas ainda demandam atualização constante e “vendem o próprio peixe”, disse Tiago Santos.
Os skills mais valorizados são conhecimento estratégico (87%), conhecimento técnico (81%), conhecimento de dados (69%) e conhecimento em performance (62%). Cerca de ⅕ dos profissionais de mídia não possuem certificações.
Por isso, o Grupo de Mídia decidiu relançar seu braço educacional, com cursos que oferecem uma visão de conceitos básicos, de estratégias, técnicas de negociação e mídia aplicada ao negócio. “São as disciplinas que o mercado sente maior necessidade”, apontou Santos. Os cursos terão turmas permanentes, para estimular troca entre alunos estabelecidos e novos entrantes.
Quem são os profissionais de mídia?
Conforme o levantamento, os profissionais de mídia mais jovens têm menos disposição à rotinas intensas e enfrentam dificuldade de negociação, pois negociam os preços através de plataformas de mensageria ao invés de encontros presenciais ou interações mais dinâmicas, como o telefonema.
“Na plataforma, não tem negociação. É só por CPM. O profissional não consegue fazer uma análise cross, porque não tem foco em conceitos básicos”, explicou Cavalcante.
Ao chegar na liderança, essa geração levou a uma juniorização do mercado, pois não possuem conhecimento sobre conceitos básicos da prática. “Não tem entendimento do todo de uma campanha ou baixo entendimento do negócio do anunciante. Ele aprendeu a baixar CTR porque opera só olhando para a plataforma”, colocou Santos.
Outros itens que os profissionais da área sentem falta são incentivos que despertem interesse em continuar a formação (45%) e gestores bem-preparados (45%). O profissional iniciante depende de uma liderança qualificada para ensinar a prática.
Para o executivo da Euphoria, esse contexto tornou a posição menos atrativa, fazendo com que os publicitários recém-formados não queiram mais trabalhar em agências por conta da rotina intensa com baixo retorno. Já a área de mídia é percebida como uma disciplina muito técnica e operacional, atrelada à performance.
A pesquisa também aponta a carência de dados e métricas confiáveis e transforma esses resultados em decisões de negócio.
Em termos de perfil, a maioria (59%) dos profissionais de mídia são mulheres entre 25 a 54 anos de São Paulo. Cerca de 67% têm mais de 10 anos de carreira e a maioria está em cargo de liderança, como direção, gerência, coordenação e supervisão. A maioria (73%) trabalha em agência e 48% avalia que atua em planejamento híbrido.

