Women to Watch

Mais da metade das mulheres estão fora do mercado no Brasil

Além do alto desemprego, nova pesquisa revela presença do "teto de vidro" no caminho para a liderança

i 30 de março de 2026 - 14h56

(Crédito: Shutterstock)

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O desemprego assola 54% das mulheres brasileiras. É o que revela a nova pesquisa da Infojobs “Panorama da Mulher no Trabalho 2026”. Na faixa acima dos 45 anos, 60% estão fora do mercado de trabalho.

O estudo, que contou com 1.022 respondentes, constatou também que apenas 3% delas estão em cargos de diretoria ou liderança sênior, e 5% atuam em posições de coordenação ou gestão. 21% desta amostra está no início da carreira ou em funções de especialista ou analista (17%).

“Os dados mostram que ampliar a presença feminina, inclusive na liderança, não depende apenas de abrir vagas. É necessário criar condições estruturais para que as mulheres avancem, permaneçam e se desenvolvam nessas posições ao longo da carreira”, afirma Ana Paula Prado, CEO do Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.

Igualdade de gênero nas empresas

A pesquisa ainda aponta que apenas 45% das entrevistadas percebem igualdade de gênero em cargos de liderança dentro de suas empresas, enquanto 27% afirmam que a desigualdade é explícita e 19% identificam diferenças mais sutis. “Muitas organizações acreditam promover igualdade, mas a prática diária revela barreiras invisíveis que limitam a ascensão feminina”, complementa a executiva.

O estudo também evidencia o “teto de vidro” que muitas mulheres enfrentam para alcançar cargos elevados. Na transição do nível técnico para a gestão, 49% das mulheres afirmam sentir o teto, enquanto que na chegada à diretoria ou C-level, 20% relatam perceber os obstáculos.

Grupos sub-representados

Grupos minorizados, como mulheres pretas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência, enfrentam desafios ainda mais agravados, com 62% relatando que a ascensão não é igualitária. “A inclusão precisa ser interseccional. Políticas que consideram apenas gênero não resolvem barreiras estruturais que afetam mulheres maduras ou de grupos minoritários”, observa Ana Paulo.

Além do desemprego e da desigualdade estrutural, a pesquisa evidencia que o ambiente corporativo também contribui para o aumento da autocensura e da insegurança psicológica. Apenas 33% das mulheres sentem-se à vontade para se posicionar, errar ou negociar novos desafios, enquanto 45% dizem precisar de cautela e 22% sentem que o ambiente não tolera discordâncias ou erros.

“O erro faz parte do desenvolvimento profissional, mas para muitas mulheres ele ainda carrega um peso maior muitas vezes relacionado ao risco reputacional. Isso impacta diretamente a visibilidade e o acesso a projetos estratégicos”, afirma Prado.

A executiva reforça que a solução não é apenas criar vagas ou programas de capacitação: “É preciso repensar o ambiente corporativo, garantindo que erros sejam vistos como aprendizado para todos, e que o talento feminino possa se converter em liderança real, em qualquer idade ou contexto”, finaliza.