Jovens lideranças concentram pico de exaustão nas empresas
Pesquisa revela esgotamento mental entre mulheres de 25 a 45 anos, especialmente em setores de tecnologia e finanças

(Crédito: Shutterstock)
A crise de saúde mental no mercado corporativo brasileiro tem gênero, faixa etária e setores mais vulneráveis. Um novo levantamento da Starbem aponta que 70% das pessoas que buscaram suporte emocional nos últimos seis meses são mulheres entre 25 e 45 anos. O perfil, segundo o estudo, representa boa parte das posições estratégicas e de liderança nas empresas.
O dado faz parte do relatório “A Sociedade do Alerta”, produzido pela healthtech focada em saúde mental corporativa, que analisou 910 respostas completas dentro de uma base de 1.868 usuários ativos em tratamento. Segundo a empresa, o estudo tem nível de confiança de 99% e margem de erro de 3%, com abrangência nacional e participação de profissionais de todas as regiões do país.
Esgotamento da jovem liderança
A pesquisa mostra que a faixa etária entre 26 e 45 anos concentra 73% da demanda por tratamento emocional, com pico entre jovens lideranças de 26 a 35 anos, responsáveis, sozinhas, por 42% dos atendimentos.
O estudo destaca o peso da chamada dupla jornada invisível, em que mulheres equilibram cargos de alta pressão, metas agressivas e a gestão emocional e logística da vida familiar.
O levantamento também chama atenção para um cenário especialmente crítico nos setores de tecnologia, inovação e mercado financeiro, que juntos representam cerca de 45% da amostra analisada. São ambientes marcados por hiperconectividade e pressão constante por performance, fatores que ajudam a explicar o aumento de sintomas como hipervigilância, ansiedade crônica e névoa mental.
Presenteísmo
Outro ponto levantado pelo relatório é o avanço do “presenteísmo”, quando o colaborador está fisicamente presente, mas mentalmente exausto. Segundo a pesquisa, profissionais em estado severo de ansiedade chegam a gastar até três vezes mais tempo para executar tarefas simples, o que compromete produtividade, tomada de decisão e capacidade de liderança.
Para as empresas, o impacto vai além do bem-estar individual. O estudo alerta para o risco de aumento de turnover e para um possível “apagão de talentos femininos” em posições estratégicas, especialmente em ambientes corporativos de alta performance.
Em contrapartida, os dados também mostram efeitos positivos da intervenção precoce. Após dez sessões de suporte terapêutico continuado, os usuários monitorados apresentaram aumento de 105% nos índices de foco e crescimento de 173% na motivação diária, que saltou de 30% para 82% ao longo do acompanhamento. Além disso, a autoconfiança cresceu 47%, a proatividade subiu 52% e a capacidade de tomada de decisão aumentou 41%.
O relatório foi produzido pela Starbem com base em pesquisa quantitativa probabilística e amostragem aleatória entre usuários corporativos da plataforma, formada majoritariamente por profissionais de empresas de médio e grande porte dos setores de varejo, indústria, saúde, educação, serviços, tecnologia e finanças.