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Fifa autoriza volta da seleção feminina afegã a competições

Mudança no regulamento permite que jogadoras representem o Afeganistão mesmo sem atuação da federação local

i 29 de abril de 2026 - 13h43

(Crédito: Divulgação/Mahmoud Khaled/Fifa via Getty Images)

Nova medida da Fifa abre caminho para que atletas do Afeganistão disputem partidas oficiais sob reconhecimento pleno do órgão (Crédito: Divulgação/Mahmoud Khaled/Fifa via Getty Images)

A Fifa anunciou, na quarta-feira, 28, uma mudança em sua estrutura de governança que permitirá que jogadoras afegãs voltem a representar oficialmente seu país em competições internacionais.

A decisão, aprovada pelo conselho da entidade, altera o regulamento para autorizar, em circunstâncias excepcionais, a criação e o registro de seleções nacionais mesmo quando a federação local não puder fazê-lo.

Na prática, a medida abre caminho para que atletas do Afeganistão, incluindo integrantes da equipe Afghan Women United, seleção do país composta por atletas que vivem fora do território afegão, disputem partidas oficiais sob reconhecimento pleno da Fifa, em coordenação com a Confederação Asiática de Futebol (AFC).

A medida é divulgada em meio à retomada do Talibã no controle do Afeganistão, que ocorreu em 2021, quando mulheres passaram a enfrentar restrições a direitos como trabalho, educação e prática esportiva. O time de futebol feminino do país não participa de partidas internacionais desde então.

Antes da tomada do poder pelo Talibã, 25 jogadoras tinham contratos no país. A maioria delas, agora, mora na Austrália.

Ponto de inflexão

A reforma dá continuidade à estratégia lançada pela Fifa em maio de 2025 para apoiar o futebol feminino afegão. Como parte desse plano, foi criada a equipe Afghan Women United, que reúne jogadoras fora do país e oferece estrutura para treinamentos e competições. Agora, pela primeira vez, essas atletas poderão representar oficialmente o Afeganistão.

A decisão foi recebida como um ponto de inflexão por integrantes do grupo consultivo independente do país para a Fifa. A jogadora de futebol afegã-dinamarquesa Nadia Nadim destacou que a medida reconhece as atletas “não como vítimas das circunstâncias, mas como jogadoras de elite com o direito de competir, ser vistas e respeitadas”.

Já Khalida Popal, ex-capitã da seleção afegã, afirmou que representar o país é uma questão de identidade, dignidade e esperança. “Esse momento mostra também que quando continuamos unidos, podemos alcançar mais conquistas.”

Direitos humanos no esporte

Segundo Andrea Florence, diretora executiva da Aliança Esporte e Direitos, a mudança estabelece um precedente global ao demonstrar que entidades esportivas podem adaptar suas regras para proteger direitos humanos em contextos extraordinários.

Embora a alteração já esteja em vigor, a Fifa iniciará agora as etapas administrativas e esportivas necessárias para viabilizar a participação da equipe em competições oficiais. Isso inclui o registro formal do time e a criação de uma estrutura operacional completa.

A entidade será também responsável pela liderança e pela manutenção de pacotes de apoio às atletas por até dois anos durante a fase de transição, com o objetivo de garantir padrões elevados de segurança, performance e bem-estar.