Olha a onda
Houve um tempo em que o surfista profissional era só talento, parafina e fibra de vidro. Hoje em dia, carreiras tem sido construídas tanto em cima da prancha como em plataformas multimídia.
Veja por exemplo o caso do catarinense Tomas Hermes, campeão da etapa de abertura do circuito brasileiro profissional, encerrada no ultimo dia 12 na praia do Cupe. O cara não só surfa um absurdo, mas é quase tão bom na hora de divulgar o seu trabalho para o mundo – tem um site dedicado às filmagens das suas sessões, conta no Twitter, escreve um blog, conta com PR e página no Facebook.
E não pense que os filmes são pouca coisa. O rapaz aprendeu direitinho com alguns tops do circuito mundial como o Dane Reynolds, que abusa do lado artista não só com a prancha nos pés, mas também com uma câmera na mão. O resultado é inspirador, atraindo uma legião de fãs que encontram nele uma mistura saudável de esporte e arte (e lógico, uma seção de e-commerce com produtos criados por ele).
Bom pra eles, mas melhor ainda para os patrocinadores que expandem o conceito de self-expression pra algo muito além da forma como seus atletas encaram as ondas. A Gotcha nos anos oitenta e a Volcom nos anos noventa foram mestres nisso. Hoje a Insight 51 segue esse caminho com um material criativo tão bom quanto muitos dos laureados em Cannes.
Ou seja, se você é daqueles que ainda acredita que publicitários, diretores ou artistas são os únicos capazes de gerar conteúdo interessante – e estou falando de inteligência e não do Charlie Bit My Finger ou de uma conta no Twitter – está na hora de rever os seus conceitos, escancarar umas portas e repensar a forma como você se posiciona profissionalmente.
Pelo menos aqui fora, na busca de novas formas de receita, as agências, assim como as marcas de surfwear, procuram profissionais multifacetados que demonstrem capacidade de adaptação e geração de conteúdo além do esperado. Verdadeiros rennassaince man que saibam navegar em qualquer formato, seja ele digital, promocional, design, cinema, escrita ou uma e-commerce shop que venda de aplicativos a camisetas.
A divisão Diretor de Arte e Redator não funciona mais faz tempo. Ser capaz de criar um filme bacana, um site ou um anúncio também não. O mundo pede mais porque todo mundo pode mais. Há uma geração sendo formada nos moldes do Youtube, Flickr e outros canais de expressão criativa, e essa turma polivalente daqui uns anos vai tomar conta do mercado publicitário. Campanhas integradas, móveis e flexiveis são as primeiras sementes disso e só tendem a crescer.
Meu ponto é que como profissionais temos que nos adaptar a essa realidade. Deixar de lado o passado e não ter medo de continuar a aprender. Se usarmos aquilo que nos faz únicos a nosso favor – a experiência na construção de marcas e a rapidez na hora de criar estrategicamente –, não só iremos deixar algo maior e mais interessante do que somente propaganda para o mundo, como também construiremos as marcas mais importantes de todas: as nossas.
Porque assim como o Tomas e o Dane já perceberam, com a ajuda desse material paralelo os juízes e o público já chegam à praia com uma percepção definida sobre o que cada um deles representa dentro do esporte. O que ajuda, e muito, na hora de vender, ou melhor, pontuar, cada manobra executada no mar.
Desculpe o trocadilho, mas essa é a nova onda.
Dane Reynolds (clique aqui para acessar);
Tomas Hermes (clique aqui para acessar);
Insight51 (clique aqui para acessar);
Rodrigo Butori é diretor de criação da La Comunidad Miami