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Como marcas fortes impulsionam as categorias?

Interbrand avalia desempenho de setores orientados por experiência versus os impactados pela comoditização

i 14 de outubro de 2026 - 6h14

O levantamento Brand Renaissance: The Role of Brand in the age of AI, da Interbrand, relevou que as marcas voltaram a exercer peso significativo sobre as decisões de compra dos consumidores. A edição de 2026 aponta, ainda, para uma aceleração nos padrões de divergência de categorias observados em 2025.

marcas

Interbrand avalia o impacto do papel das marcas sobre as categorias as quais pertencem (Crédito: Créditos: InfiniteFlow – stock.adobe.com)

No último ano, o indicador de papel de marca, que mostra o quanto as marcas influenciam os critérios de consumo, foi de 35%. Também à época, setores mais ligados à experiência vinham ganhando força, enquanto categorias mais comoditizadas sofriam a perda de diferenciação.

Destaque para serviços profissionais crescendo 35%, ainda que o valor tenha se sustentado em relação a 2025. Setores financeiros se mantêm estáveis em relação à edição passada, apresentando um aumento de 21% em papel de marca.

Já a categoria de luxo foi a que apresentou maior declínio. A queda de 62% está associada, segundo o estudo, à mudança de percepção e distanciamento da associação com o status. O setor automotivo aparece na sequência, com 55% de redução, uma vez que a padronização da oferta de veículos elétricos no mercado global vem reduzindo a diferenciação.

De acordo com Daniella Bianchi, CEO da Interbrand Brasil, a inteligência artificial (IA) está promovendo uma comoditização algorítmica, ou seja, as marcas tendem à semelhança à medida em que os algoritmos reproduzem padrões e preferências já estabelecidos, prejudicando a relevância frente à concorrência.

“Os consumidores começam a valorizar um pouco mais essa diferenciação que é feita pelo toque humano e por experiências que são mais relevantes”, detalha a executiva.

As empresas de tecnologia, por sua vez, estão se beneficiando como plataformas para o crescimento futuro e registraram uma evolução de 8%. A IA também impulsiona a experiência em mídia e entretenimento em uma alta de 7%. O mesmo percentual é observado nos setores de eletrônicos, evidenciando a diferenciação por meio da experiência do usuário, e restaurantes e hospitalidade. Este último ainda impulsionado pela fatiga do isolamento social durante o período de pandemia.

Gráfico Role of Brand, alta das categorias

(Crédito: Arte M&M)

Aspectos regulatórios e maior busca pela saudabilidade levaram a categoria de bebidas alcoólicas a uma queda de 27%. Depois, estão bens de consumo, afetados pela equivalência de marcas próprias e migração algorítmica (retração de 26%), este último, impactando o varejo, dada a dominância dos sistemas de recomendação sobre o e-commerce (baixa de 22%).

Gráfico queda das categorias

(Crédito: Arte M&M)

O levantamento avalia que categorias mais comoditizadas enfrentam um dilema entre competir em eficiência operacional e redução de custos, ou redefinir sua própria categoria por meio de novos serviços e maiores ofertas em experiência.

Em parceria com a Paradigm Sample, a Interbrand analisou mais de 5,5 mil avaliações de consumidores nos Estados Unidos, Alemanha, Índia, China e Brasil, conduzidas a partir do modelo estatístico discrete choice.