Apostas

“Havia ajustes a serem feitos”, admite CEO da Sportingbet

Antonio Forjaz conta que a empresa trabalha para tentar amenizar os efeitos da MP e acredita que setor de apostas possa retomar atividades de forma regulada

i 6 de outubro de 2026 - 6h12

Sportingbet

Neste ano, Sportingbet promoveu uma ação no País sob o comando do embaixador Shaquille O’Neal (Crédito: Divulgação/Sportingbet)

Assim que a Medida Provisória que proibiu a atuação das bets no Brasil foi publicada, no último dia 25 de setembro, a Sportingbet, uma das empresas do setor que atuavam no País, teve de organizar para cumprir as determinações da justiça, por um lado, enquanto tentava analisar os contratos de patrocínio e de compra de mídia assinados para ver a possibilidade de evitar prejuízos.

Com mais de 50 funcionários empregados diretamente, além de centenas de outros atuando para a companhia diretamente, a Sportingbet investe não somente na mídia nacional como também no segmento esportivo. Antes da MP das bets entrar em vigor, a empresa era patrocinadora máster do Palmeiras e do Vasco da Gama.

De acordo com o governo federal, a decisão de proibir a atuação das bets no País é uma forma de tentar conter os efeitos dos jogos para a economia e sociedade, como endividamento das famílias, compulsão e vício em jogo.

Apesar da proibição de atuação, o porta-voz da Sportingbet ainda vê futuro no mercado Brasil. Forjaz defende que, por meio das entidades, as plataformas do segmento tenham a possibilidade de dialogar com governo e autoridades a fim de estabelecer um patamar de sustentabilidade para a atuação das empresas regulamentadas.

“Somos um setor de R$ 40 bilhões e esse é um dinheiro que, de repente, vai desaparecer da economia brasileira. E isso se reflete não apenas para o setor, diretamente, mas em capital humano, negócios, eventos etc. É um mercado gigantesco e existe um grande perigo do impacto que isso pode ter”, disse Forjaz, em entrevista ao Meio & Mensagem.

Apesar de criticar a MP e a proibição, o CEO da Sportingbet admite que regulações eram – e continuarão sendo – necessárias para adequar o segmento à realidade dos consumidores e do País.

“Seria ingênuo, de nossa parte, acreditar que não havia ajustes e correções a serem feitos. A forma como o consumidor se comporta se transforma e acho que há espaço para conversas, entender as preocupações, saber o que precisa ser corrigido”, pontua Forjaz.

Veja, abaixo, as opiniões do CEO da plataforma de apostas sobre a proibição e o futuro do segmento de apostas no País.

Primeiras reações

“Olhamos para todos os nossos contratos, com fornecedores, agências de publicidade e parceiros de mídia, para tentar resguardar esses valores. No geral, nossa atuação, após a publicação da MP, se dividiu em quatro frentes. A primeira é a judiciária e governamental, para tentar se aprofundar na Medida Provisória e tentar saber como é possível revertê-la. A segunda é a frente emocional, junto aos nossos colaboradores, para transmitir confiança e um pouco de estabilidade. Também montamos uma frente de estratégia, para tentar estipular a previsibilidade de alguns cenários, e a frente comercial e de marketing, que é justamente pela qual tentamos entender o que podemos assegurar e reverter dos contratos atuais. Além de tudo isso, também tivemos que cuidar do impacto tecnológico gerado pela MP, já que precisamos estar de acordo com as determinações do governo e, para isso, temos ajustes a cumprir. E isso é muito mais complicado do que parece. E quando uma decisão sai as 20h de uma sexta-feira, tudo se torna ainda mais complicado”.

Futuro dos contratos

“Sabemos que é possível conseguir alguns resguardos financeiros porque existem, nos contratos de patrocínio e publicidade firmados, cláusulas de força maior. Mas acreditamos que iremos retomar [as atividades] e o Brasil ainda é visto como um mercado de longo prazo. Temos, agora, que balancear os negócios porque não teremos, por um tempo, nenhuma receita e benefício proveniente dos contratos de patrocínio e publicidade que fizemos.”

Expectativa das ações das entidades junto ao STF

“A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e o IBJR (Instituto Brasileiro de Jogos Responsável) entraram com três medidas, cada uma baseada em um caráter legal diferente. Não é possível imaginar o que irá acontecer, mas acreditamos que é possível tentar algum caminho. É difícil, do nada, não poder mais operar em um mercado, porque isso traz uma questão de segurança econômica. Somos um setor de R$ 40 bilhões e esse é um dinheiro que, de repente, vai desaparecer da economia brasileira. E isso se reflete não apenas para o setor, diretamente, mas em capital humano, negócios, eventos etc. É um mercado gigantesco e existe um grande perigo do impacto que isso pode ter.”

Projeção de futuro

“É muito difícil imaginar como serão os desdobramentos da MP. Temos uma eleição no meio e um Congresso que poderá ser igual ou diferente de como é hoje. Pensamos que, da forma como a MP está, ela não poderá ser votada. Mas há várias implicações nesse cenário porque, quanto mais o tempo passa, mais o mercado irregular tomará conta do setor. Nos últimos dias já foram criados vários sites irregulares. Os jogadores continuarão jogando, mas agora em um mercado mais perigoso. Pensamos que o caminho dessa regulação passa por alguns exemplos que temos em outros mercados. Na Inglaterra, que é um mercado muito forte, 90% das plataformas de apostas são legais. É necessário um grande controle de segurança para que esse mercado seja sustentável.”

O teor da comunicação das bets

“Obviamente, acreditamos que temos que continuar a evoluir como setor e queremos trabalhar muito próximo ao governo e aos ministérios para garantir que a regulamentação atende aos brasileiros. Nossa licença tem apenas pouco mais de um ano e meio. Seria ingênuo, de nossa parte, acreditar que não havia ajustes e correções a serem feitos. A Inglaterra ainda segue fazendo correções, tudo ainda está em movimento. A regulamentação não está lá para ser fixa; está lá para seguir evoluindo. A forma como o consumidor se comporta se transforma e acho que há espaço para conversas, entender as preocupações, saber o que precisa ser corrigido. Há muitos caminhos para isso e é preciso que possamos participar desse debate. É um mercado em que acreditamos há muito.”

Aposta no Brasil

“Somos um grupo global e temos uma estrutura internacional que nos protege. O Brasil foi uma grande aposta para o grupo: montamos uma estrutura enorme, com centenas de milhões de reais investidos nos últimos anos, em todas as frentes. Foi uma aposta gigante e, para ter sucesso no Brasil, é preciso atuar de forma localizada, contar com pessoas que conheçam o mercado local e foi isso que fizemos. O Brasil tem um consumidor apaixonado por esporte e acreditamos no potencial que isso traz. Mas queremos ter certeza de que o mercado quer crescer de forma correta, com atores, governo e todos atuando em conjunto.”