Ponto de vista

Reféns da programação

i 4 de agosto de 2011 - 10h03

“Na era digital, os consumidores não querem ser reféns da programação” a afirmação é de Fernando Laurito Summa, gerente de produto da LG Brasil em entrevista para a jornalista Marili Ribeiro na matéria “TV com acesso à internet ganha mais recursos”, publicada na terça-feira, dia 26 de julho no Caderno de Negócios do jornal O Estado de S. Paulo (página B14).

Em determinado momento a jornalista afirma “As emissoras vinham resistindo a essa iniciativa, por temerem prejuízos ao faturamento com publicidade” em referência ao fato que a fabricante Sony foi a primeira a personalizar o conteúdo de uma emissora aberta, o SBT.

Parabéns ao SBT que, com sua atitude, procura libertar o consumidor do seqüestro promovido pela resistência à modernidade, ou melhor, aos fatos. Não se pode mais admitir que o modelo de negócio da propaganda brasileira dite as regras de comportamento do cidadão sobre o consumo das mídias.

Na mesma direção da libertação, o Internet Advertising Bureau (IAB) divulgou sua estimativa de que o setor de buscadores movimentará R$ 3,040 bilhões em publicidade até o final desse ano (edição impressa do Meio & Mensagem de 1 de agosto de 2011, Sérgio Damasceno, página 36 e 37), o que fará da internet o terceiro maior meio de comunicação no Brasil atrás da televisão e jornal.

Viva os números que sempre existiram, mas só agora são divulgados. Ou seja, o comportamento do consumidor não é refletido no dia a dia da compra de mídia pelas agências brasileiras que continuam apostando em um cidadão que, por não existir, não consome os produtos que são anunciados.

Só nos dias 29, 30 e 31 de agosto (sexta, sábado e domingo), mais de 2 milhões de brasileiros foram ao cinema, o que significa 30% a mais do que o mesmo final de semana de 2010 e deixaram nas bilheterias R$ 24 milhões, 45% a mais do que no ano passado.

A compra de mídia não acompanha o comportamento do consumidor e a divulgação dos números é um fator relevante, mas não determinante para a mudança de postura das agências e anunciantes. É preciso questionar o que realmente impede que a distribuição das verbas reflita as audiências dos meios e veículos e para isso o primeiro passo é admitir que os consumidores, verdadeiramente, não são mais nossos reféns.