Ponto de vista

Sites de noticias: de onde vem o tráfego?

i 21 de julho de 2011 - 4h49

A revista The Economist da semana passada trouxe um conjunto de reportagens sobre a indústria de notícias. Excelentes abordagens que recomendo a todos que trabalham com comunicação. Quem não comprou a revista pode procurar no site.

Um dos artigos, “Social Media – The people formerly known as the audience”, é muito interessante. Um gráfico apresentado no artigo me chamou a atenção. Ele mostra de onde vêm os visitantes dos dez sites de notícias mais populares dos Estados Unidos.

Em sete deles, cerca de 30% do tráfego vem do Google e 6% vem do Facebook. Pessoas comentam sobre assuntos que viram na internet e os amigos que se interessam clicam no link para a notícia. Uma viralização enorme!

Nos outros três sites, esses números são mais modestos: Google e Facebook somados não chegam a 10%.

No IVC, fizemos um estudo com os dados dos sites que auditamos e constatamos que, no Brasil, cerca de 40% da origem do tráfego vem de buscadores e 4% de redes sociais.

Sobre redes sociais, não vou tentar concorrer com a revista: leiam o artigo. Com relação aos buscadores, nossa análise foi mais aprofundada e tentamos entender quais palavras-chaves eram mais utilizadas. Para nossa surpresa, não eram as notícias e sim as marcas dos veículos de comunicação. Ou seja, a grande maioria das pessoas usa os buscadores para encontrar a URL dos sites preferidos.

Este fato pode ser analisado de diversas maneiras. A importância dos buscadores, redes sociais, ferramentas, funcionalidades etc. Pensem no assunto.

Para mim uma percepção é fundamental: a força que as marcas têm. A “comoditização” das notícias não é realidade. As pessoas não buscam qualquer fonte de notícias, apenas pelo acontecimento. Elas querem o fato contado por alguém em quem confiam. Assim como não consomem pasta de dentes, não compram roupas e nem escolhem seu carro apenas pela função. A marca é fundamental.

Nas notícias, a marca representa confiabilidade e função. Dá para usar alguns produtos que não têm estilo, charme ou perfume, mas que cumprem as suas funções. No entanto, informação errada é pior do que nenhuma informação.

Pedro Silva é presidente executivo do Instituto Verificador de Circulação (IVC)