Quais legados a Fifa quer deixar com a Copa feminina no Brasil?
Gal Barradas, diretora de marketing do Comitê da entidade, fala da ascensão do esporte e das oportunidades para as marcas

Fifa usa sede no Brasil para desenvolver uma relação mais próxima com o torcedor (Crédito: -Livia-Villas-Boas-Staff-Images-CBF)
Embora o assunto do momento seja a Copa do Mundo masculina, que começa nesta quinta-feira, 11, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) já está se preparando para o torneio feminino, que acontece em 2027, tendo o Brasil como país-sede.
Para reforçar a presença no mercado nacional, em janeiro deste ano a entidade nomeou Gal Barradas como diretora executiva de revenues & marketing do Comitê de Organização da Copa do Mundo Fifa de Futebol Feminino, que acontecerá entre junho e julho de 2027, em oito cidades.
A iniciativa tem o objetivo de trabalhar diversas frentes que ajudarão a entidade máxima do futebol a desenvolver um trabalho dedicado exclusivamente ao torneio feminino.
O comitê é dividido em quatro diretorias: de operações, que cuida de logística, estádios, segurança e tecnologia; de administração, que cuida de jurídico, compliance e recursos humanos; diretoria de legado e diretoria de marketing.
Nessa última, Gal, que passou por empresas como Rio Bravo, Spark e F/Nazca, desenvolverá estratégias de patrocínio, venda de ingressos, hospitality e licensing, entre outras atividades.
Durante o evento All In, promovido pela Holding Clube nesta semana, a executiva explicou ao Meio & Mensagem quais legados a Fifa pretende deixar com a construção do comitê e como a iniciativa impacta o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil.
Gal conta que o comitê da Fifa no Brasil tem o objetivo de reconhecer as questões culturais e a importância delas em meio a um evento grande: “Ter uma subsidiária com brasileiros que aporta conhecimento em diversas áreas é importante para o desenvolvimento das marcas, para dar o suporte a elas em todo o funil”, diz.
Modalidade em ascensão
Outra parte importante do trabalho da executiva à frente do comitê brasileiro da Fifa é ajudar na captação de parceiros. Embora a entidade já tenha um rol extenso de marcas patrocinadoras, a intenção da executiva é mostrar para mais empresas como podem recorrer ao futebol como plataforma para se desenvolver no esporte de forma autêntica, participando da construção do futebol feminino.
“As empresas querem resultado com autenticidade. As mulheres são, hoje, 50% do mercado, elas têm o poder de decisão na mão”, afirma.
Na visão de Gal, o mais interessante de estar à frente de um projeto de futebol feminino é o fato de ser uma modalidade em ascensão. “O futebol masculino está saturado de marcas. Ainda existe espaço para novos entrantes no futebol feminino”, comenta.
Relação com os veículos
Para se conectar com os torcedores, a Fifa já tem acordos fechados com CazéTV e Globo, também detentoras dos direitos de transmissão da Copa masculina — algo que evidencia a valorização do futebol jogado por mulheres, avalia Gal.
“Uma Copa do Mundo em qualquer país deixa impactos econômicos muito grandes. Para o Brasil nem se fala, pois somos o país do futebol. Essa edição amplia a percepção que as pessoas têm sobre o poder da mulher, porque é um esporte que foi, por décadas, dominado por homens e agora ganha um evento todo pensado para elas”, complementa.
