Itaú, Netflix e Motiva: por que patrocinar a Flip?
Marcas detalham como o marketing cultural orienta investimentos, ativações e experiências na feira literária

24ª Flip tem a poeta Orides Fontela como autora homenageada (Créditos: Reprodução/Instagram)
A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) reúne, até domingo, 26, mais de 600 atividades pelas ruas da cidade, entre mesas do Programa Principal, ações educativas e a agenda das 46 Casas Parceiras, que apresentam programações culturais independentes. A edição também conta com 28 editoras parceiras.
Realizada pela Associação Casa Azul, com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, neste ano, Itaú Unibanco, Motiva, via Instituto Motiva, e Netflix ocupam a categoria máster de patrocínio, chamada de Guapuruvu.
Além de financiar a realização da feira, as empresas participam com casas, debates, exibições audiovisuais e projetos de mobilidade.
Importância das marcas na Flip
As contrapartidas para as marcas incluem presença nos canais físicos e digitais, associação a mesas, ingressos, credenciais e a possibilidade de construir ativações em parceria com a organização.
“A viabilização dos cinco dias de festa e de todas as ações que realizamos durante o ano depende, em grande parte, do apoio dos patrocinadores, dado que as receitas diretas com bilheteria, loja e programa de casas parceiras correspondem a cerca de 25% do orçamento necessário”, afirma Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip.
A orientação, acrescenta, é que essa participação respeite o território e evite impactos visuais, sonoros e ambientais.
“Em um cotidiano cada vez mais virtual, a Flip se apresenta como uma experiência física, na qual o público convive durante cinco dias com as marcas em um contexto singular”, fala Munhoz.
“O resultado é uma experiência imersiva que atrai um público fiel e formador de opinião, que aumenta a cada ano. Em um contexto espontâneo e autêntico, o público cria uma relação afetiva com as marcas”, completa.
Outros patrocinadores são a MaqMóveis, na categoria Cedro, e a Tokio Marine Seguradora e a BMC Hyundai, na categoria Araribá.
A feira também conta com o apoio institucional da Prefeitura de Paraty, do Iphan – Escritório Técnico da Costa Verde e do Instituto Lugar.
Investimento em cultura
O Itaú retoma uma casa própria na programação paralela, formato que havia adotado pela primeira vez em 2016.
O espaço recebe conversas sobre não ficção, processo criativo e mercado editorial, além de uma participação de Conceição Evaristo no ano em que a escritora completa 80 anos.
Para o banco, o apoio às feiras literárias está associado à formação de leitores e ao estímulo ao pensamento crítico.
“Isso é um valor muito maior do que uma simples estratégia de patrocínio; trata-se de uma estratégia de construção do País junto ao poder público e à sociedade civil”, afirma o banco.

Público nas ruas de Paraty, no Rio de Janeiro, durante a Flip 2026 (Créditos: Reprodução/Instagram)
Já o Instituto Motiva realiza pelo terceiro ano sua casa, com debates sobre inteligência artificial, saúde mental, cidades, memória e meio ambiente, além de oficinas e atividades infantis.
A empresa também mantém seis rotas gratuitas de transporte terrestre e fluvial para comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras da região de Paraty.
A programação integra, ainda, o Circuito Cultural, projeto lançado neste ano com investimento de R$ 1 milhão para promover visitas de estudantes da rede pública e de organizações sociais a museus, centros culturais e festivais literários.
“Um patrocínio se torna relevante quando parte da pergunta: ‘Que experiência queremos proporcionar para as pessoas?’”, afirma a instituição. “Procuramos entender quais barreiras ainda afastam as pessoas da cultura e como podemos ajudar a reduzi-las”, completa.
Literatura e audiovisual
Já a Netflix passa à categoria máster depois de participar da programação paralela desde 2024.
A plataforma exibe gratuitamente no Cinema da Praça o primeiro episódio da segunda parte da série Cem Anos de Solidão, inspirada no romance homônimo de Gabriel García Márquez, antes do lançamento global, e participa de conversas promovidas por editoras.
“A literatura é uma fonte de inspiração para a Netflix. Hoje, 15% dos filmes disponíveis no serviço no Brasil são adaptações de livros”, afirma Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix Brasil.
Segundo ela, o evento aproxima a empresa da comunidade literária e das discussões em torno das obras que podem chegar ao audiovisual.
“Estamos sempre em busca de boas histórias, e a literatura é um campo fértil para encontrá-las”, completa.