Quais marcas patrocinavam o futebol antes das bets?
Marcas de diferentes setores ocuparam o principal espaço das camisas dos clubes antes das casas de apostas

Quem investia no futebol antes das bets? (Crédito: N Universe/Shutterstock)
Antes das casas de apostas se espalharem pelos uniformes dos clubes brasileiros, marcas de diferentes setores disputavam os principais espaços de patrocínio do futebol.
Parmalat no Palmeiras, Petrobras no Flamengo, LG no São Paulo, Unimed no Fluminense e Kalunga no Corinthians são alguns dos acordos que marcaram época no futebol brasileiro.
Antes das bets
Nos anos 1990, a Parmalat se tornou um dos principais exemplos da relação entre marcas e futebol ao patrocinar o Palmeiras. A parceria começou em 1992 e terminou em 2000. Além da exposição na camisa, o acordo adotou um modelo de co-gestão, com participação da empresa nas decisões administrativas e esportivas e investimentos na contratação de jogadores. A marca também foi parceira do Juventude.
A Petrobras, em especial com a marca Lubrax, construiu uma relação de longo prazo com o Flamengo. Iniciada em 1984, a parceria ocupou o espaço máster da camisa por 25 anos, até 2009, atravessando as décadas de 1990 e 2000. A partir de outubro, a parceria será retomada após contrato assinado entre a Vibra e o Flamengo.
Eletrônicos e saúde
Nos anos 2000, fabricantes de eletrônicos e empresas de serviços também ocuparam o espaço principal dos uniformes.
A LG estampou a camisa do São Paulo de 2002 a 2010, enquanto a Samsung foi patrocinadora máster do Corinthians de 2005 a 2007.
No futebol carioca, a Unimed manteve uma parceria de 15 anos com o Fluminense, de 1999 a 2014. Além do patrocínio, a empresa participou do financiamento de contratações e salários de jogadores ao longo do período.
Bancos ganham espaço
A partir dos anos 2010, bancos e instituições financeiras passaram a ocupar parte dos principais espaços comerciais dos clubes.
No Corinthians, a Caixa Econômica Federal foi patrocinadora máster de 2012 a 2017. O banco chegou a ser o principal patrocinador das camisas dos clubes brasileiros no período. Em 2014, por exemplo, a marca estava na camisa de Atlético Goianiense, Atlético Paranaense, Asa de Arapiraca, Avaí, Corinthians, Coritiba, Chapecoense, Figueirense, Flamengo, Paraná, Vitória e Vasco.
À medida que a Caixa foi tirando o pé dos investimentos no futebol, o Banco BMG ocupou o espaço e teve acordos com diferentes equipes, incluindo Corinthians, Vasco da Gama, Atlético Mineiro, Bahia, Flamengo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro e Coritiba.
No Palmeiras, a Crefisa assumiu o patrocínio máster em 2015 e permaneceu até 2024.
Em 2019, o banco digital BS2 também passou a ocupar a posição principal da camisa do Flamengo, em uma parceria encerrada em 2020.
Bets são donas dos patrocínios máster
A entrada das bets no futebol brasileiro começou a ganhar força em 2019, após a legalização das apostas de quota fixa no País. A modalidade foi autorizada pela Lei 13.756, sancionada em 2018, que abriu espaço para a regulamentação do setor.
Naquele primeiro momento, as empresas começaram a buscar espaço nos uniformes. Em janeiro de 2019, o Fortaleza fechou com a NetBet. Meses depois, em agosto, o Goiás anunciou a MarjoSports como patrocinadora máster, em substituição à Caixa, levando uma casa de apostas para o principal espaço comercial da camisa.
Porém, o mercado passou por uma nova etapa a partir de 2023, com a Lei 14.790, que estabeleceu regras para a exploração da modalidade no País. Desde 1º de janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente, sob o domínio “.bet.br”.
Hoje, a presença das bets é mais evidente na Série A. Levantamento feito pela reportagem de Meio & Mensagem mostra que 13 dos 20 clubes da elite têm atualmente uma empresa de apostas esportivas como patrocinadora máster. Isso significa que mais da metade dos times da competição tem uma bet no principal espaço comercial da camisa.
Entre os sete clubes que não têm uma bet nessa posição, três contam com empresas de outros segmentos como patrocinadoras máster: FoxLux, no Coritiba; Red Bull, no Bragantino; e Bebidas Poty, no Mirassol. Os outros quatro estão atualmente sem patrocinador máster. Alguns deles, porém, já tiveram empresas de apostas nessa posição.
Na Série B, a presença das bets também é expressiva. Dos 20 clubes da competição, 11 têm uma empresa de apostas esportivas como patrocinadora máster. Entre os demais, quatro têm empresas de outros segmentos nessa posição: Fatal Fans, no Vila Nova; Espaço Smart, no Operário-PR; Magnum Bank, no São Bernardo; e Mansão Maromba, na Ponte Preta. Outros cinco estão sem patrocinador máster.
A presença das empresas de apostas não se limita aos clubes. Em 2024, a CBF também oficializou a Betano como detentora dos naming rights da Série A, em um contrato plurianual que passou a associar o nome da empresa à competição.

