Futebol

Quem são as bets que patrocinam o futebol brasileiro?

Patrocínios milionários fazem das casas de apostas a principal fonte de receita dos clubes do futebol brasileiro

i 18 de setembro de 2026 - 14h29

futebol bets

(Crédito: A.PAES/A.RICARDO/Shutterstock)

 

*Colaborou Bárbara Sacchitiello

O comunicado em conjunto dos clubes de futebol brasileiro a respeito da possível Medida Provisória que restringiria a atuação das bets sinaliza a importância financeira que as empresas do segmento adquiriram no cenário esportivo nacional.

Levantamento feito pela reportagem de Meio & Mensagem aponta que, dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, 13 têm, atualmente uma empresa de apostas esportivas como seu patrocinador máster, ocupando a área principal dos uniformes e, também, fornecendo os maiores investimentos (veja mais abaixo).

Nos uniformes, as bets passaram a ocupar quase a totalidade dos espaços nobres dos clubes. Conforme levantamentos de negócios do esporte divulgados por veículos e consultorias do setor, a soma estimada dos contratos vigentes de patrocínio máster anunciados pelas agremiações já ultrapassa a faixa de R$ 1 bilhão por temporada em receitas diretas nos caixas dos times da elite nacional.

Além dos clubes, em si, as bets também estão presentes na organização do Brasileirão. Ainda em 2024, a CBF oficializou a Betano como detentora dos naming rights da Série A, em contrato plurianual que passou a denominar a competição.

Entre os clubes da Série A do Brasileirão, apenas três contam com empresas de outros segmentos como patrocinadores máster. São elas: FoxLux (Coritiba), Red Bull (Bragantino) e Bebidas Poty (Mirassol).

Já outros quatro clubes da Série A estão sem patrocinadores másters no momento. Alguns deles, no entanto, já tiveram acordos pontuais ou até mesmo tiveram alguma bet ocupando o espaço máster de sua camisa no passado.

Veja, abaixo, a lista dos 20 clubes que disputam a Série A, na ordem de colocação atual no campeonato, e sua respectiva patrocinadora máster.

Flamengo – Betano

Palmeiras – Sportingbet

Athletico Paranaense – sem patrocínio

Bahia – sem patrocínio

Fluminense – Superbet

Cruzeiro – Betnacional

Atlético Mineiro – H2Bet

Coritiba – FoxLux

Bragantino – Red Bull

Santos – Novibet

Botafogo – Vbet

São Paulo – Superbet

Vitória – Bet7k

Corinthians – Esportes da Sorte

Mirassol – Bebidas Poty

Grêmio – Sem patrocínio

Vasco – Sportingbet

Internacional – Sem patrocínio

Remo – VaideBet

Chapecoense – ZeroUm

Patrocínios elevam receitas dos clubes

O Flamengo tem o maior contrato de patrocínio máster do futebol brasileiro. Firmado com a Betano em 2025, o acordo prevê R$ 268,5 milhões por temporada e é válido até o fim de 2028.

Em fevereiro deste ano, o Corinthians renovou com a Esportes da Sorte até 2029. O contrato estabelece R$ 150 milhões fixos por temporada, com bônus que podem elevar o valor anual a R$ 200 milhões.

O Palmeiras mantém contrato com a Sportingbet até 2027, com R$ 100 milhões fixos por ano e bônus que podem levar o valor a R$ 170 milhões por temporada.

O São Paulo, por sua vez, renovou com a Superbet até 2030. O acordo pode chegar a R$ 113 milhões por ano, considerando a parcela fixa e os bônus previstos.

O Atlético-MG mantém contrato com a H2bet por três anos, com R$ 60 milhões fixos por temporada. Já o Botafogo tem acordo com a VBet até o fim de 2027, com R$ 55 milhões fixos por ano e possibilidade de chegar a R$ 70 milhões com bônus.

O Fluminense também renovou com a Superbet neste ano, em contrato válido até 2029. São R$ 53 milhões fixos por temporada, com até R$ 33 milhões adicionais em bônus.

Na Região Sul, Grêmio e Internacional estão sem patrocinador máster fixo. O Grêmio encerrou o contrato com a Alfa Bet em dezembro de 2025, enquanto o Internacional rescindiu com a empresa em janeiro de 2026. Os dois clubes seguem em busca de novos acordos para a principal propriedade da camisa.

No Nordeste, o Bahia rescindiu em janeiro o contrato com a Viva Sorte Bet. Em abril, fechou um acordo temporário de três meses com a Esportiva Bet para a posição de máster. E o Vitória mantém contrato com a Bet7K, com R$ 16 milhões fixos por temporada e possibilidade de chegar a cerca de R$ 20 milhões com variáveis.

O Santos fechou, em fevereiro de 2026, contrato de três temporadas com a Novibet para o patrocínio máster. O acordo prevê R$ 35 milhões fixos por ano, com possibilidade de chegar a R$ 85 milhões por temporada considerando as receitas variáveis.

O Cruzeiro passou a estampar a Betnacional como patrocinadora máster em dezembro de 2025, substituindo a Betfair. A mudança não alterou o contrato vigente, que prevê R$ 43 milhões por temporada e é válido até dezembro de 2026.

Já o Vasco anunciou a Sportingbet como nova patrocinadora máster em julho de 2026. O acordo é válido até o fim de 2027, com opção de renovação por mais um ano. Os valores não foram divulgados pelo clube.

O Athletico-PR encerrou a parceria com a Viva Sorte Bet em fevereiro de 2026 e está até o momento sem um patrocinador principal.

A Chapecoense mantém a parceria com a ZeroUm, que passou a estampar a parte frontal da camisa em 2025, e o Remo oficializou a VaideBet como máster em contrato de um ano, com valor fixo de R$ 12 milhões, além de bônus vinculados ao desempenho esportivo.

O Coritiba, por sua vez, encerrou o vínculo com a Reals Bet e, em setembro de 2026, anunciou a Foxlux como nova patrocinadora máster.

Série B

Na Série B, a predominância de casas de apostas entre os patrocinadores também é alta: dos 20 clubes da competição, 11 tem uma bet como patrocinadora máster.

Na segunda divisão do Brasileirão, quatro clubes são patrocinados por empresas de outros segmentos: Vila Nova (Fatal Fans), Operário-PR (Espaço Smart), São Bernardo (Magnum Bank) e Ponte Preta (Mansão Maromba).

Ainda na série B, cinco clubes estão, atualmente, sem um patrocinador máster em seu uniforme. Veja, abaixo, a lista:

Novorizontino – Pagol.bet

Juventude – Sem patrocinador máster

Vila Nova – Fatal Fans

Fortaleza – Sem patrocinador máster

Criciúma – Bolão de Aposta

Atlético Goianiense – Blaze

CRB – Bolsa de Aposta

Operário-PR – Espaço Smart

Sport – Betnacional

Athletic Club – Betnacional

Cuiabá – Sem patrocinador máster

Goiás – Viva Sorte

São Bernardo – Magnum Bank

Náutico – Esportes da Sorte

Ceará – Esportes da Sorte

Botafogo-SP – Sem patrocinador máster

Avaí – 1pra1.bet.br

Londrina – Sem patrocinador máster

América-MG – Bet.bra

Ponte Preta – Mansão Maromba

Governo prepara MP sobre bets

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou neste mês que o governo federal deve tomar uma decisão mais drástica em relação ao setor de apostas.

A preocupação do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda envolve o endividamento da população de baixa renda, o impacto das perdas financeiras sobre o consumo de itens básicos e os efeitos das apostas sobre a saúde mental e a dependência.

Em agosto, o Ministério da Fazenda informou que o sistema de bloqueio de apostadores impedidos também alcançava beneficiários de programas de renegociação de dívidas e pessoas que contrataram empréstimo pelo Fies. A restrição já valia para beneficiários do Bolsa Família e do BPC desde 2025.

Agora, o governo prepara uma Medida Provisória (MP) com novas restrições ao setor. O texto ainda está em discussão, mas uma das possibilidades em análise é a proibição dos jogos de cassino on-line, enquanto as apostas esportivas poderiam ser mantidas. Também estão em debate mudanças nas regras de publicidade e outras medidas para limitar a atuação das plataformas.

“Fim do futebol brasileiro”

Em resposta, a Federação Paulista de Futebol (SP), a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (RJ), a Federação Mineira de Futebol (MG), a Federação Amapaense de Futebol (AP), a Federação Bahiana de Futebol (BA), a Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (ES), a Federação Goiana de Futebol (GO), a Federação de Futebol do Estado de Rondônia (RO) e a Federação Catarinense de Futebol (SC) divulgaram um manifesto na quinta-feira, 17, em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas.

No comunicado, os clubes afirmaram que mudanças nas regras do setor poderiam afetar as receitas e a capacidade de investimento das equipes. O documento também classifica a publicidade das bets como uma fonte relevante de recursos para o futebol brasileiro.

“Os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do País”, diz uma parte da nota. Leia a íntegra aqui.

Até a publicação da reportagem, não haviam aderido ao documento a Federação Alagoana de Futebol (AL), a Federação Amazonense de Futebol (AM), a Federação de Futebol do Distrito Federal (DF), a Federação Matogrossense de Futebol (MT), a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (MS), a Federação Paraense de Futebol (PA), a Federação Paraibana de Futebol (PB), a Federação Paranaense de Futebol (PR), a Federação Pernambucana de Futebol (PE), a Federação de Futebol do Piauí (PI), a Federação Norte-rio-grandense de Futebol (RN), a Federação Gaúcha de Futebol (RS), a Federação Roraimense de Futebol (RR) e a Federação Tocantinense de Futebol (TO).