Quem são as bets que patrocinam o futebol brasileiro?
Patrocínios milionários fazem das casas de apostas a principal fonte de receita dos clubes do futebol brasileiro

(Crédito: A.PAES/A.RICARDO/Shutterstock)
*Colaborou Bárbara Sacchitiello
O comunicado em conjunto dos clubes de futebol brasileiro a respeito da possível Medida Provisória que restringiria a atuação das bets sinaliza a importância financeira que as empresas do segmento adquiriram no cenário esportivo nacional.
Levantamento feito pela reportagem de Meio & Mensagem aponta que, dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, 13 têm, atualmente uma empresa de apostas esportivas como seu patrocinador máster, ocupando a área principal dos uniformes e, também, fornecendo os maiores investimentos (veja mais abaixo).
Nos uniformes, as bets passaram a ocupar quase a totalidade dos espaços nobres dos clubes. Conforme levantamentos de negócios do esporte divulgados por veículos e consultorias do setor, a soma estimada dos contratos vigentes de patrocínio máster anunciados pelas agremiações já ultrapassa a faixa de R$ 1 bilhão por temporada em receitas diretas nos caixas dos times da elite nacional.
Além dos clubes, em si, as bets também estão presentes na organização do Brasileirão. Ainda em 2024, a CBF oficializou a Betano como detentora dos naming rights da Série A, em contrato plurianual que passou a denominar a competição.
Entre os clubes da Série A do Brasileirão, apenas três contam com empresas de outros segmentos como patrocinadores máster. São elas: FoxLux (Coritiba), Red Bull (Bragantino) e Bebidas Poty (Mirassol).
Já outros quatro clubes da Série A estão sem patrocinadores másters no momento. Alguns deles, no entanto, já tiveram acordos pontuais ou até mesmo tiveram alguma bet ocupando o espaço máster de sua camisa no passado.
Veja, abaixo, a lista dos 20 clubes que disputam a Série A, na ordem de colocação atual no campeonato, e sua respectiva patrocinadora máster.
Flamengo – Betano
Palmeiras – Sportingbet
Athletico Paranaense – sem patrocínio
Bahia – sem patrocínio
Fluminense – Superbet
Cruzeiro – Betnacional
Atlético Mineiro – H2Bet
Coritiba – FoxLux
Bragantino – Red Bull
Santos – Novibet
Botafogo – Vbet
São Paulo – Superbet
Vitória – Bet7k
Corinthians – Esportes da Sorte
Mirassol – Bebidas Poty
Grêmio – Sem patrocínio
Vasco – Sportingbet
Internacional – Sem patrocínio
Remo – VaideBet
Chapecoense – ZeroUm
Patrocínios elevam receitas dos clubes
O Atlético-MG mantém contrato com a H2bet por três anos, com R$ 60 milhões fixos por temporada. Já o Botafogo tem acordo com a VBet até o fim de 2027, com R$ 55 milhões fixos por ano e possibilidade de chegar a R$ 70 milhões com bônus.
O Fluminense também renovou com a Superbet neste ano, em contrato válido até 2029. São R$ 53 milhões fixos por temporada, com até R$ 33 milhões adicionais em bônus.
Na Região Sul, Grêmio e Internacional estão sem patrocinador máster fixo. O Grêmio encerrou o contrato com a Alfa Bet em dezembro de 2025, enquanto o Internacional rescindiu com a empresa em janeiro de 2026. Os dois clubes seguem em busca de novos acordos para a principal propriedade da camisa.
No Nordeste, o Bahia rescindiu em janeiro o contrato com a Viva Sorte Bet. Em abril, fechou um acordo temporário de três meses com a Esportiva Bet para a posição de máster. E o Vitória mantém contrato com a Bet7K, com R$ 16 milhões fixos por temporada e possibilidade de chegar a cerca de R$ 20 milhões com variáveis.
O Athletico-PR encerrou a parceria com a Viva Sorte Bet em fevereiro de 2026 e está até o momento sem um patrocinador principal.
A Chapecoense mantém a parceria com a ZeroUm, que passou a estampar a parte frontal da camisa em 2025, e o Remo oficializou a VaideBet como máster em contrato de um ano, com valor fixo de R$ 12 milhões, além de bônus vinculados ao desempenho esportivo.
O Coritiba, por sua vez, encerrou o vínculo com a Reals Bet e, em setembro de 2026, anunciou a Foxlux como nova patrocinadora máster.
Série B
Na Série B, a predominância de casas de apostas entre os patrocinadores também é alta: dos 20 clubes da competição, 11 tem uma bet como patrocinadora máster.
Na segunda divisão do Brasileirão, quatro clubes são patrocinados por empresas de outros segmentos: Vila Nova (Fatal Fans), Operário-PR (Espaço Smart), São Bernardo (Magnum Bank) e Ponte Preta (Mansão Maromba).
Ainda na série B, cinco clubes estão, atualmente, sem um patrocinador máster em seu uniforme. Veja, abaixo, a lista:
Novorizontino – Pagol.bet
Juventude – Sem patrocinador máster
Vila Nova – Fatal Fans
Fortaleza – Sem patrocinador máster
Criciúma – Bolão de Aposta
Atlético Goianiense – Blaze
CRB – Bolsa de Aposta
Operário-PR – Espaço Smart
Sport – Betnacional
Athletic Club – Betnacional
Cuiabá – Sem patrocinador máster
Goiás – Viva Sorte
São Bernardo – Magnum Bank
Náutico – Esportes da Sorte
Ceará – Esportes da Sorte
Botafogo-SP – Sem patrocinador máster
Avaí – 1pra1.bet.br
Londrina – Sem patrocinador máster
América-MG – Bet.bra
Ponte Preta – Mansão Maromba
Governo prepara MP sobre bets
A preocupação do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda envolve o endividamento da população de baixa renda, o impacto das perdas financeiras sobre o consumo de itens básicos e os efeitos das apostas sobre a saúde mental e a dependência.
Em agosto, o Ministério da Fazenda informou que o sistema de bloqueio de apostadores impedidos também alcançava beneficiários de programas de renegociação de dívidas e pessoas que contrataram empréstimo pelo Fies. A restrição já valia para beneficiários do Bolsa Família e do BPC desde 2025.
Agora, o governo prepara uma Medida Provisória (MP) com novas restrições ao setor. O texto ainda está em discussão, mas uma das possibilidades em análise é a proibição dos jogos de cassino on-line, enquanto as apostas esportivas poderiam ser mantidas. Também estão em debate mudanças nas regras de publicidade e outras medidas para limitar a atuação das plataformas.
“Fim do futebol brasileiro”
Em resposta, a Federação Paulista de Futebol (SP), a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (RJ), a Federação Mineira de Futebol (MG), a Federação Amapaense de Futebol (AP), a Federação Bahiana de Futebol (BA), a Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (ES), a Federação Goiana de Futebol (GO), a Federação de Futebol do Estado de Rondônia (RO) e a Federação Catarinense de Futebol (SC) divulgaram um manifesto na quinta-feira, 17, em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas.
No comunicado, os clubes afirmaram que mudanças nas regras do setor poderiam afetar as receitas e a capacidade de investimento das equipes. O documento também classifica a publicidade das bets como uma fonte relevante de recursos para o futebol brasileiro.
“Os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do País”, diz uma parte da nota. Leia a íntegra aqui.
Até a publicação da reportagem, não haviam aderido ao documento a Federação Alagoana de Futebol (AL), a Federação Amazonense de Futebol (AM), a Federação de Futebol do Distrito Federal (DF), a Federação Matogrossense de Futebol (MT), a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (MS), a Federação Paraense de Futebol (PA), a Federação Paraibana de Futebol (PB), a Federação Paranaense de Futebol (PR), a Federação Pernambucana de Futebol (PE), a Federação de Futebol do Piauí (PI), a Federação Norte-rio-grandense de Futebol (RN), a Federação Gaúcha de Futebol (RS), a Federação Roraimense de Futebol (RR) e a Federação Tocantinense de Futebol (TO).

