Varejo

Parte dos descontos na Black Friday não são reais, diz pesquisa

Levantamento da Timelens, empresa da FutureBrand, indica que 45,4% dos itens apresentados no ano passado não ofereciam um ganho real aos consumidores

i 17 de setembro de 2026 - 10h17

Black friday Descontos

Pesquisa mostra que muitos descontos apresentados na Black Friday do ano passado não são reais para o consumidor (Crédito: Shuttersrtock)

Embora a Black Friday tenha se consolidado como uma das principais datas para o varejo brasileiro, as vantagens que o consumidor leva ao aguardar as promoções do período podem não ser, muitas vezes, tão interessantes assim.

Um levantamento realizado pela Timelens, empresa de inteligência de dados e comportamento digital da FutureBrand São Paulo, que analisou 809 mil preços mostrados em buscadores e sites, indica que 45,4% dos itens oferecidos na Black Friday do ano passado não ofereciam, de fato, um desconto real aos consumidores.

De acordo com a análise da companhia, cerca de 21% dos itens monitorados não registram alteração de preço, enquanto outros 21% chegaram até a ficar mais caros do que antes no período da Black Friday.

Apenas 16,1% das ofertas monitoradas eram relevantes, entregando descontos acima de 15%. A empresa ainda apontou que, 3,4% das “promoções” apresentavam o chamado “falso desconto”, quando o valor é inflado às vésperas da Black Friday para ser reduzido posteriormente.

A Timelens monitorou uma variação maior de preços, com a entrega de maiores descontos, nas categorias de eletroportáteis e linha branca (eletrodomésticos). Já para itens dos setores de farmácia, mercado, brinquedos, moda e acessórios não foram registradas variações de preço significativas.

Percepção do público

O estudo da Timelens também procurou apontar a percepção do público em relação às ofertas e descontos oferecidos às pessoas.

Lideram as queixas da maior parte dos consumidores da Black Friday (51%) os falsos descontos e maquiagem de valores, apresentados para fazer com que o público acredite que levará vantagem naquela compra.

Em seguida, 39,3% das pessoas relataram se decepcionar com as expectativas criadas para a data versus a realidade dos descontos e das promoções, enquanto o medo de cair em propaganda enganosa foi apontado por 25,6% dos consumidores.

Para esse levantamento das percepções do público, a empresa fez um trabalho de social listening, a fim de coletar as impressões das pessoas nas redes sociais. Essa análise apontou para uma certa diluição da importância da Black Friday no calendário brasileiro, uma vez que a busca pelo termo Black November (como são chamadas as ofertas que acabam pulverizadas ao longo de todo o mês) aumentou 298% nas redes sociais no ano passado.

Nessa mesma linha, a pesquisa pelo termo “Black Week” saltou 103% enquanto o termo Black Friday registrou alta de 33%. Em paralelo à isso, a pesquisa pelas ofertas nas datas duplas e outros eventos do calendário promocional criado por marketplaces cresceu 19,2% nos últimos três anos.