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Dos alimentos à beleza: os efeitos das canetas emagrecedoras

Novos hábitos alimentares influenciam estratégias e lançamentos de produtos de marcas como Seara e Grupo Boticário

i 16 de setembro de 2026 - 15h20

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Marcela De Masi (Grupo Boticário) e Tannia Fukuda Bruno (Seara) falam à Edmar Bulla (Croma Consultoria) sobre os impactos da GLP-1 em suas indústrias no palco do Blue Connections (Crédito: Eduardo Lopes: Máquina da Foto)

Para além dos números da balança, os efeitos da introdução das canetas emagrecedoras no cotidiano dos brasileiros já são visíveis em diferentes indústrias. Não apenas as fabricantes de alimentos, restaurantes e empresas do ramo alimentício estão precisando se readequar ao novo apetite da população como outras áreas estão tendo de descobrir os anseios dos usuários de medicamentos à base de GLP-1.

Por muitos anos, a tendência predominante das marcas de produtos capilares foram as fórmulas que prometiam diminuir o volume e “domar” os fios. Agora, com um dos efeitos colaterais das canetas emagrecedoras pode ser a redução do volume e afinamento dos cabelos, a Eudora viu que era hora de mudar a lógica.

Foi assim que a marca do Grupo Boticário colocou no mercado a linha Siàge Volume Imediato, já respaldado por análises dos consumidores que vêm experimentando os efeitos dos medicamentos para perda de peso. O produto vendeu 40% acima da meta, mostrando que a demanda, de fato, era real.

O exemplo foi dado por Marcela De Masi, diretora executiva de branding e comunicação do Grupo Boticário, que participou de debate do Blue Connections, evento promovido para o Círculo Liderança de Meio & Mensagem, que aconteceu nessa terça-feira, 15, em São Paulo.

A executiva contou que, em um primeiro momento, quando as canetas começaram a se popularizar, o grupo, como um todo, teve receio de que os investimentos até então direcionados à cosméticos e beleza fossem direcionados apenas para custear o tratamento de saúde. Com o passar do tempo, a companhia notou que, em vez de temor, era preciso se preparar para as novas demandas que aquele hábito de consumo traria.

Com isso, o Grupo Boticário passou a fazer testes de seus lançamentos também em pessoas que fazem uso de GLP-1, o que balizou a criação de alguns produtos. “Ouvíamos que muitas pessoas ficaram com aquele efeito ‘Ozempic face’, do rosto mais fino após o emagrecimento. E entendemos que as pessoas gostavam desse efeito e desse novo, porque isso demonstrava que elas haviam perdido peso. Então, o que fizemos foi criar um produto voltado ao derretimento facial, assumindo que era para esse público”, contou De Masi, a respeito da linha de tratamentos faciais de Botik.

Do frango à mortadela

No caso de uma empresa de proteínas, como a Seara, os novos hábitos de alimentação de uma população que se preocupa mais com o peso viraram tema central. Se por um lado havia a vantagem da maior busca pela ingestão de proteínas, como frango e suínos, por outro, a empresa tinha de lidar também com a necessidade de manter a demanda por outros de seus produtos, como os embutidos.

Tannia Fukuda Bruno, chief marketing officer (CMO) de Seara, contou, também no Blue Connections, que, atualmente, 30% dos investimentos do grupo são voltados a compreender melhor os consumidores dos medicamentos à base de GLP-1. Essa observação, segundo a executiva, rendeu dos principais insights.

“O primeiro deles é algo que antecede essa questão das canetas emagrecedoras. O Brasil é um País pobre e, como todo mercado em desenvolvimento, existe uma grande carência de proteína. Antes, portanto, da proteína se tornar a ‘queridinha’ do prato, já existia uma alta demanda por aqui. E outro ponto que também analisamos e que estamos perseguindo é como ampliar a variedade proteica nesse prato do brasileiro”, comentou a CMO.

Fukuda explicou que essa demanda por maior variação fez com que o grupo ampliasse ainda mais os investimentos para a produção de ofertas de itens como pescados e ovos, além da criação de linhas mais variadas e com mais proteína agregada, como Seara Protein.

Já em relação aos alimentos embutidos e processados, que ainda são bastante procurados pelos consumidores por conta do baixo custo, a CMO contou que a Seara vem procurando fazer uma reavaliação. “Por exemplo, em nossa linha de marmitas, conseguimos adicionar temperos com zero conservantes. E se o brasileiro está querendo mais proteínas, conseguimos ampliar a oferta proteica nessa marmita, diminuindo os carboidratos. Tentamos equacionar isso nas entregas”, contou.

Já em relação às salsichas, mortadela, presunto e outros elementos que não são símbolos de alimentação tão saudável, a diretora diz que ainda existe demanda contextual. “Na Copa do Mundo, que é um período de festas e celebração, tivemos aumento de vendas em todas essas categorias. Isso representa que há espaço para a maior saudabilidade e para consumo de outros itens, dependendo da ocasião”, destacou.