Cinema abre as portas para eventos ao vivo
Shows de rock, óperas, bales e atrações esportivas entram na grade de programação das salas digitais das redes exibidoras
A experiência de se aconchegar em uma poltrona de uma sala de cinema para curtir as emoções de um bom filme em uma tela gigante e com qualidade impecável de áudio continua única. No entanto, os cinéfilos de plantão agora têm novas opções de entretenimento fora da sétima arte. Além dos tradicionais filmes, as redes estão colocando em cartaz shows de rock, óperas, balés e até mesmo eventos esportivos como o UFC, a Liga dos Campeões da Europa e o torneio de Wimbledon.
Apesar de incipiente, o segmento tem atraído a atenção do público e das redes, que têm investido na ampliação do número de salas digitais (únicas aptas a realizar este tipo de transmissão graças à instalação de uma antena para receber o sinal via satélite) e na oferta de eventos, tanto os ao vivo, quanto os gravados. Para Fábio Lima, diretor da Mobz, empresa pioneira no setor, fundada em 2008, o desenvolvimento deste mercado é uma consequência da digitalização das salas de cinema.
“Não há um histórico lá fora. O Brasil é um dos poucos países que têm avançado em conteúdos especiais. Temos frequência e constância”, conta Lima. Dentre os produtos da empresa para o segundo semestre estão o início das temporadas 2011-2012 do Metropolitan Opera (começa em 15 de outubro) e do Ballet Bolshoi (a partir de 9 de outubro), o show Red Hot Chilli Peppers Ao Vivo – I’m With You (a apresentação do novo CD de inéditas da banda em 30 de agosto terá exibição simultânea em mais de mil salas no mundo), e o show Kylie 3D: Aphrodite Les Folies – Monilize (gravado em 3D).


Lotação esgotada
A UCI, por exemplo, além de óperas e balés, está investindo no esporte. A rede irá exibir, ao vivo, em 27 de agosto, o UFC Rio, evento de mixed martial arts (MMA). “Faremos em seis salas nas cidades de Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio, vendemos tudo em cinco dias. Nas outras cidades estamos fazendo teste. Já temos 40% dos ingressos vendidos”, conta a diretora de marketing Monica Portella, que informa que a rede pretende duplicar o estoque de assentos disponíveis. Atualmente, seis das suas 153 salas fazem transmissões do gênero.
Já a Cinemark, em parceria com o Esporte Interativo, está investindo no futebol. Depois de realizar transmissões fechadas, a rede e o canal irão exibir em 14 de agosto com bilheteria aberta a final da Supercopa da Espanha (entre Real Madrid e Barcelona). O sinal irá para salas de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. “Já exibimos a Copa em 3D para convidados, a final de Wimbledon, o Foo Fighters, o Metropolitan Opera. O céu é o limite. Queremos tornar o cinema uma plataforma de entretenimento”, diz Bettina Bakis, diretora de marketing da Cinemark, que tem antenas em 30 complexos.
Embora o mercado não possua dados de receita deste novo segmento, a expectativa é positiva. “A projeção de crescimento é muito grande. Até 2014, os conteúdos especiais devem representar 1% da bilheteria dos cinemas no mundo”, projeta Lima. De acordo com o empresário, o segmento ainda está passando por um processo de aprendizado até para valorar as propriedades. “O que mais atrai os patrocinadores é a possibilidade de fazer uma ativação que não conseguiriam em uma grande arena”, comenta.
Para Monica, o principal desafio para o desenvolvimento do setor é a questão dos direitos no Brasil. “Lá fora é mais fácil negociar. O direito do Eric Clapton, por exemplo, é muito caro. Tentamos também transmitir o SWU de Itu, mas é difícil conseguir a autorização dos direitos. É um processo em andamento. Os produtores ainda verão que poderão aumentar as receitas. A capacidade de ingresso aumenta muito com a transmissão nos cinemas, é o que o UFC está fazendo”, analisa, destacando que o faturamento com esses produtos ainda é ínfimo perto da receita dos filmes.
“Começamos com óperas e balés, que têm públicos específicos, e a receptividade tem sido gigantesca. A transmissão em tempo real dá a sensação de fazer parte do show. É perto de estar fisicamente lá. Isso é um diferencial para o público. Estamos avaliando conteúdos em esporte. Houve uma proposta com basquete que não evoluiu. É uma linha que devemos entrar”, conta Patrícia Cotta, gerente de marketing do Kinoplex/Grupo Severiano Ribeiro.