Como a Globo quer usar a influência em 2027?
Empresa trabalhará com base em relevância, simultaneidade e atenção para mobilizar o público em seus canais

Avenida Brasil 2, com Adriana Esteves (Carminha) é uma das grandes apostas da Globo para 2027 (Crédito: Raphael Dias)
Na semana passada, a Globo apresentou seus planos para 2027 e chamou atenção para sua principal estratégia para o ano: combinar relevância, simultaneidade e atenção para fortalecer sua relação com o público e as marcas.
Essa preocupação acontece em um cenário em que a atenção do espectador está dividida não apenas entre o conteúdo, mas também entre as plataformas, que empregam agilidade a tudo o que é produzido e consumido.
Dados como fonte de relevância
Por isso, a empresa de mídia quer usar suas diferentes frentes como diferencial para se manter relevante nas conversas e audiência.
De fato, esse entendimento resulta de pesquisa e dados que revelam como as pessoas querem assistir conteúdo.
Como resultado disso, novos formatos surgem nas telas da Globo.
Na verdade, o movimento começou ainda este ano com dois spin-offs de novelas no formato de minidramas para serem vistos no Globopop, que é a plataforma de vídeos curtos da empresa.
Nesses casos, as tramas escolhidas foram Por Você e com o casal Lokinha, de Três Graças.
Em entrevista ao Meio & Mensagem Samantha Almeida, diretora de marketing da TV Globo, explicou que o canal identificou a oportunidade de começar a jornada de duas personagens para gerar identificação com o público.
“A estreia deixa de ser o início da relação com uma obra. Estamos aprendendo a desenhar todo o ciclo de vida dessa relação e o valor que podemos criar em cada etapa”, comentou.

Quanto valerá o futebol na Globo em 2027?
Esse tipo de produção resultou em novo produto para a Globo: a produção de spin-offs das novelas.
Onde e como
Manzar Feres, diretora-geral de negócios da Globo, afirma que essa é uma forma de respeitar o que as pessoas querem assistir e como desejam consumir esse produto, além de refletir o fato de as obras da Globo serem obra aberta.
A questão do formato também impacta diretamente o conteúdo esportivo, tendo em vista que cada um dos canais do grupo de mídia cumprem uma função.
O jornalismo fica por conta da TV aberta, enquanto os especialistas em esportes falam no Sportv e Premiere, ambos canais da TV paga.
Nesse contexto, a Ge TV, plataforma no YouTube que tem pouco mais de um ano, tem como aspecto estratégico se conectar com a geração digital, inclusive por intermédio de seu casting de talentos.
“Montamos um pacote que entregamos ativação de marca nas redes – nossas e dos nossos talentos – vamos fazendo um long tail”, completa Manzar.
Como a Globo mensura isso?
Para acompanhar os resultados de esforços e estratégias em busca da atenção dos espectadores, a Globo faz acompanhamento de dados.
Com isso, a empresa de mídia consegue medir de forma ágil o que está dando certo, ou não, e o que é tendência.
Este ano, por exemplo, o grupo apresentou alguns de seus resultados de alcance. De acordo com o Cross Platform View, do Ibope, até setembro deste ano, o conteúdo de suas plataformas chegou a quase 200 milhões de pessoas. O painel aponta, ainda, que foram mais de 4 trilhões de minutos consumidos.
O horário nobre segue como um dos principais ativos para a Globo, atingindo 40 milhões de brasileiros todo dia na TV e na TV conectada, de acordo com o Ibope.
Assim, não à toa, a emissora decidiu retomar na faixa das 21h a continuação da novela Avenida Brasil, uma das produções de maior audiência da dramaturgia nos últimos anos.
Em 2012, quando foi exibida, o Ibope apontou que o último capítulo chegou a mais de 50 pontos de audiência, com pico de 53 pontos.
Manzar reforça o quanto a evolução da tecnologia e dos métodos de mensuração ajudou a empresa a conseguir entender quais passos seguir. “Não é uma Globo que ‘só’ entrega, aprendemos muito nesse processo, testamos, mudamos o rumo. Temos dados com velocidade e precisão para mudar nossas histórias”, diz.
