Fábio Coelho, do Google: Web3, PL das Fake News e Musk

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Fábio Coelho, do Google: Web3, PL das Fake News e Musk

Vice-presidente do Google e presidente do Google Brasil analisa evolução da internet, notícias falsas, política e macroeconomia e o papel do buscador nesse panorama


29 de abril de 2022 - 6h00

Nesta quinta-feira, 28, o Google realizou o Think With Google 2022, primeiro evento presencial desde o início da pandemia no Brasil. A big tech apresentou resultados de pesquisa de intenção de compra realizada nos últimos dois anos. O responsável pela apresentação foi o vice-presidente do Google e presidente da companhia no Brasil, Fábio Coelho.

 

Além de Fábio Coelho, palestraram no evento Priya Parker e Chris Skinner (Crédito: Divugação/Google)

De forma geral, Coelho deixou claro o propósito do Google de equipar os clientes e negócios para a crescente digitalização, com soluções de automação, analytics e machine learning. Na intenção de ser apoiador do mercado, o Google realiza pesquisas periódicas para compreender tendências de consumo.

O estudo encomendado pelo Google e realizado pela Offerwise ouviu mil brasileiros sobre as mudanças em seu comportamento de consumo durante a pandemia. Os resultados indicam que 70% dos consumidores estão animados com a possibilidade de voltar a comprar sem limitações do período pandêmico.

Os critérios para a compra, no entanto, mudaram. Quando questionados quais são avaliados como importantes na decisão, 74% consideram produtos, serviços e marcas sustentáveis, que não agridam ou agridem menos o meio ambiente; 66% acham relevante aqueles sob medida para o consumidor; 62% valorizam produtos, serviços e marcas de origem de pequenos produtores ou produtores locais; e 57% buscam produtos, serviços ou marcas fabricados no país de origem.

O descumprimento dessas propostas leva ao abandono: 8 em cada 10 afirmaram que devem trocar de marca caso entendam que não esteja conectada à sua identidade ou necessidades. Segundo o relatório, o consumidor está mais intencional e busca serviços que atendam necessidades e personalização de forma adequada.

Além do suporte ferramental e de equipe, o Google faz a conexão entre as marcas e o consumidor e isso se reflete nas buscas. Diariamente, há 15% de buscas inéditas no Google, diz a pesquisa. Para 42% dos consumidores, a decisão de compra depende dos resultados que encontra na web. Cerca de 37% acreditam que cada resultado  abre um mundo de possibilidades e 21% já sabem o que procuram ao fazer buscas na internet.

Fábio Coelho, vice-presidente do Google e presidente da companhia no Brasil (Crédito: Thaís Monteiro)

O executivo também se reuniu com jornalistas para responder questões sobre temas diversos, que vão de tópicos sobre os quais o Google é mais vocal, como o projeto de lei das fake news, até questões relacionadas ao período eleitoral brasileiro.

PL das Fake News
“Tem vários pontos a serem tratados. Não pode haver votação e depois ter vários pontos em aberto porque você cria instabilidade no ecossistema todo. O primeiro ponto é que parte da premissa de que as empresas de tecnologia remuneram os publishers. Temos mais de 70 publishers espalhados pelo Brasil com acordos de valorização do conteúdo. Globo e UOL são alguns dos nossos parceiros. A premissa de que não há remuneração é falaciosa. Pudemos discutir com o relator e continuamos trabalhando porque o diálogo é bem-vindo. O PL não está maduro o suficiente para ser votado. Estamos sempre abertos ao diálogo, trabalhando pontos com o relator e com iniciativas de anos que estão sendo aceleradas porque não podemos ter desertos jornalísticos no Brasil. Queremos ter centenas de publishers como parceiros e ajudá-los na transformação digital.”

Web 3.0
“Estive na Febraban vendo um painel sobre finanças descentralizadas. Tudo que é muito novo carece de regulação e entendimento. Temos que olhar para o futuro com o maior respeito possível. Não podemos suprimir e castrar o futuro, porque perdemos a competitividade e meu objetivo é o presente. Discutir cripto e blockchain é saudável, mas prefiro discutir automação e analytics. O Brasil tem empresários de todos os tamanhos e precisamos fazer o feijão com arroz bem feito. Nosso foco é dividido entre 20% para o futuro e 80% para a realidade presente.”

Metaverso
“Temos que respeitar o novo sempre. Temos soluções de realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR), acreditamos na multicanalidade, temos prazer de ter 90% dos celulares com sistema Android. Mas isso não pode tirar o foco do presente senão a conversa não tem aplicação prática. Você já tem aplicações práticas em gaming, em entretenimento. Nos EUA, se você estiver a 50 milhas de um estádio, você já consegue ver o jogo. Como território novo, tudo isso ainda está em alfa. Quando você coloca o óculos, você fica meio tonto. Estamos quase lá como sociedade, mas não quero que isso iniba o que concretamente pode ajudar os negócios de hoje. É pensar o hoje sem desconsiderar o amanhã. Tem potencial muito bom. Quem vai trazer para o mercado? Não sabemos, mas a compra da Activision Blizzard pela Microsoft mostra dedicação nisso. Só achamos que não podemos afetar o custo de hoje.”

Sustentabilidade versus fast fashion
“Não sei se é um descasamento [entre a necessidade do consumidor por sustentabilidade e o crescimento de empresas de consumo rápido]. Há perfis diferentes. O desemprego está em alta e há mais opções. Todos querem coisas novas e, ao mesmo tempo, elas estão se tornando mais intencionais pelo pouco dinheiro no bolso. Os consumidores valorizam a sustentabilidade, mas é um processo em desenvolvimento. É uma jornada de compra mais complexa.”

Elon Musk no Twitter
O Twitter é uma empresa com valor histórico no mercado que permite publicação em tempo real. Uma coisa que ele [Elon Musk] pode trazer é arrojo para a inovação. Isso é bom para a indústria. A discussão de liberdade é da pauta e as pessoas têm que ter capacidade de se expressar respeitando a lei e as normas das plataformas em termos de uso. A sociedade vai se educando para valorizar informações de qualidade. Quando um conteúdo é de pior qualidade, ou é menos valorizado ou removido das nossas plataformas. Liberdade de expressão e conteúdo continuam à medida que a sociedade aprende a lidar com as plataformas.”

Inflação e juros para marcas
“As empresas investiram extraordinariamente nos dois anos de pandemia porque o canal digital era o único disponível naquele momento. Com a reabertura, é natural que se tenha um pequeno rebalanceamento. Quando se combina a possibilidade de escolher intencionalmente uma marca que entrega no mesmo dia na sua casa, será que você precisa de uma loja? Qual é o papel da loja? Associado com juros e inflação grande, é natural que haja um repensar. Startups também têm que fazer ajuste com a quantidade de dinheiro que conseguem captar. As empresas começam a ficar mais intencionais e ter mais cuidado no uso do dinheiro, buscar racionalidade e eficiência nas abordagens. Todo ano temos uma meta de desenvolver soluções que ajudem o cliente nos seus negócios. Se você fizer algo que não tem valor para o negócio, todos perdem. Perde-se dinheiro. São soluções duráveis com infraestrutura necessária para criar perenidade, soluções que permitam que seu marketing e abordagem seja mais eficiente ainda.”

Balanço do Google
“A ação cresceu 65% no ano passado. Em algum momento, há de haver um ajuste. O Google nunca deu guidelines sobre o futuro, então fica difícil para os analistas entenderem o curto prazo. Não podemos considerar o que aconteceu na pandemia como permanente. A Meta cresceu 14% só esses dias. Hoje, as ações do Google subiram 3,8%. Varia muito.”

Eleições 2022
“No dia 6, estivemos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conversando sobre o processo de tratamento do conteúdo e de apoio dos candidatos e reforçamos o compromisso de melhorar as qualidades dos conteúdos mais reconhecidos para que tenhamos a experiência melhor possível. A informação do TSE aparece primeiro, as mais confiáveis estão na primeira página. O nosso papel é ser plataforma e ajudar que a informação seja a mais fidedigna possível.”

Futuro governo
“Não trabalhamos com especulação. Vamos tentar ajudar com a sociedade brasileira. Trabalhamos com todos e vamos trabalhar para o Brasil. Com relação à assimetria, temos que entender o que é assimetria real e percebida. O que fica muito claro é que sempre que o novo chega, a definição de novo é porque não existe daquela forma. Forçar o atual te faz limitar a inovação e o capital vai buscar outros lugares. A inovação permeia todos os níveis sociais. No nosso campus de startups em São Paulo, em seis anos, aceleramos 600 empresas. Algumas viraram internacionais e outras viraram unicórnios. Tem que ser visto com um olhar sempre de diálogo. O Google paga muito imposto no Brasil. Às vezes, o novo apavora o existente e o melhor resultado é quando ambos coexistem. E para isso temos esforços setoriais. Só conseguimos sair de uma situação dessa com diálogo, e não polarização, pancada. É um ponto de equilíbrio entre o novo e o atual. Você vai encontrando soluções e caminhos.”

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