Inteligência artificial

IA acelera checagem de creators e reforça brand safety

Plataformas da MField e Creator Ads combinam IA e análise humana para reduzir riscos reputacionais em campanhas com influenciadores

i 5 de agosto de 2026 - 6h01

IA creators

(Crédito: BestForBest/Shutterstock)

Em um contexto marcado pela velocidade e dinamismo, a inteligência artificial (IA) torna-se ferramenta central no mercado da creator economy ao permitir que processos que antes levavam horas, sejam concluídos em menos de um minuto.

De olho nessa tendência, a MField lançou, na semana passada, a MRadar, uma plataforma proprietária baseada em inteligência artificial, cujo objetivo é automatizar o processo de disaster check, etapa de due diligence realizada antes da contratação de creators que analisa o histórico digital de deles para garantir brand safety nas campanhas.

A ferramenta faz uma varredura em diferentes fontes públicas, como Google, redes sociais e portais de notícias, cruzando essas informações para identificar potenciais riscos reputacionais, como estão discursos de ódio, manifestações preconceituosas, processos judiciais, crises anteriores e outras ocorrências que possam representar um risco para uma marca.

Além da identificação de riscos, segundo Flávio Santos, CEO da MField, o MRadar também analisa o contexto do briefing da campanha para avaliar a aderência entre os valores da marca e o histórico daquele creator, apontando não apenas alertas, mas também possíveis sinergias.

A Creator Ads também trabalha com inteligência artificial em praticamente toda a jornada de colaboração com creators, desde a seleção do perfil ideal até a aprovação do conteúdo criado. “O objetivo não é apenas encontrar quem tem maior audiência, mas quem oferece maior aderência à estratégia da campanha e menor risco para a marca”, destaca a presidente, Miriam Shirley.

Atualmente, a plataforma da Creator Ads analisa centenas de sinais simultaneamente. Entre eles estão: histórico de publicações, padrões de linguagem, contexto das imagens e vídeos, temas recorrentes, posicionamentos públicos, recorrência de determinados comportamentos, perfil da audiência, performance histórica em campanhas, compatibilidade com diferentes categorias e afinidade entre o creator e o briefing da marca, assim como a da MField.

Para isso, a Creator Ads combina dados disponibilizados pelas APIs oficiais das plataformas com uma camada de dados proprietários. A plataforma processa automaticamente os conteúdos publicados pelos creators nos últimos 90 dias e analisa texto, imagem, vídeo e áudio para gerar atributos que não estão estruturados nas redes sociais.

Miriam revela que essa análise permite identificar desde características do perfil e padrões de conteúdo até a recorrência de temas sensíveis ou comportamentos específicos, enriquecendo significativamente a tomada de decisão.

A partir dessa base proprietária de dados, a plataforma aplica automaticamente 14 filtros de brand safety, que avaliam categorias como discurso de ódio, preconceito, violência, nudez, sexualização, atividades ilegais, desinformação, teorias conspiratórias, ataques diretos, conteúdo político-partidário e conteúdo enganoso, entre outros.

“Em vez de avaliar apenas uma publicação isolada, a IA consegue compreender o histórico recente do creator e identificar padrões de comportamento ao longo do tempo”, frisa a presidente, reforçando que a ferramenta também cruza essas informações com o histórico de campanhas anteriores realizadas na plataforma.

A tecnologia da Creator Ads também conta com o Guardian, ferramenta que realiza uma análise preventiva do conteúdo produzido antes da publicação, evitando que materiais inadequados cheguem ao público e causem danos reputacionais.

O maior ganho da ferramenta de IA da MField está na escala, visto que uma análise que antes levava entre duas e quatro horas por perfil passa a ser realizada em poucos segundos. Segundo Santos, isso permite que a equipe da agência concentre seu tempo na interpretação dos resultados e na tomada de decisão.

Humano segue essencial

Apesar da potência tecnológica, tanto Santos quanto Miriam reforçam que a IA atua como uma camada de inteligência que potencializa, mas não substitui, o ser humano. “A IA irá automatizar grande parte do trabalho operacional, mas não substituirá o processo humanizado”, reforça o CEO da MField.

Enquanto a máquina lida com o trabalho pesado de processar volumes massivos de dados e identificar padrões, o julgamento humano permanece fundamental para entender nuances culturais, sensibilidade social e o impacto criativo de uma campanha. “Uma publicação pode ser tecnicamente segura e, ainda assim, não fazer sentido para o posicionamento específico de uma empresa”, argumenta Miriam.

Na visão da executiva, a definição dos objetivos de uma campanha, a construção do conceito criativo, a escolha da narrativa, a identificação do papel que cada creator terá na estratégia e a leitura de tendências culturais continuam sendo decisões essencialmente humanas. “São atividades que exigem repertório, conhecimento de negócio e capacidade de interpretar contexto, algo que vai além da análise de dados”, complementa.

Neste contexto, Miriam destaca que o modelo híbrido tem sido fundamental para permitir que grandes marcas operem campanhas com centenas ou milhares de creators mantendo padrões elevados de compliance, governança e brand safety, algo que, segundo ela, seria extremamente difícil de alcançar apenas com processos manuais.