Comunicação

Daniel Maia: “Foco da Colossal é encontrar novas abordagens”

Produtora de animação, criada dentro daThe Youth, foi a mais premiada de 2025

i 17 de março de 2026 - 10h50

Em operação desde 2022, a Colossal é uma boutique de animação, efeitos especiais e pós-produção criada pela The Youth, curitibana fundada pelo trio Eduardo Lubiazi, João Machado e Yuri Maranhão. A vertical surgiu a partir de demandas que não se encaixavam diretamente no escopo original.

Daniel Maia, produtor executivo e sócio da Colossal - Ranking Produtoras

Daniel Maia, produtor executivo e sócio da Colossal, diz que entrar em outros mercados, por si só, já é um desafio (Crédito: Divulgação)

A empresa ficou em primeiro lugar entre as produtoras de filme mais premiadas de 2025, segundo Ranking do Meio & Mensagem. Ao longo do ano passado, entre festivais internacionais, regionais e nacionais, a Colossal conquistou 4 Grand Prix, 5 Ouros, 7 Pratas e 2 Bronzes.

Pelo início da operação ainda no contexto de pandemia, em que a indústria precisou se adaptar ao trabalho remoto, a boutique não possui sede. Praticamente todo o processo é online, mantendo profissionais em diferentes países. “A operação começou global desde o primeiro dia”, explica Daniel Maia, sócio e produtor executivo.

A escolha pelo formato de boutique foi estratégia. A ideia foi construir uma estrutura em que fosse possível tirar do papel projetos complexos aos modelos tradicionais. Desde o nascimento, a atuação da Colossal ocorreu fora do Brasil. A maior parte dos trabalhos, segundo Maia, foi para os Estados Unidos, mas outros mercados também se tornaram relevantes, como o México e a Ásia.

Na entrevista abaixo, o produtor executivo falou sobre o crescimento da produtora e sobre a produção internacional.

M&M – O que ajuda a explicar o desempenho da produtora neste ciclo de premiações?
Daniel Maia – Criamos a Colossal com o intuito de ser o que o mercado chama de boutique, ou seja, lugar para desenvolver ideias difíceis e que, muitas vezes, nem chegam fechada em nós. Esses projetos têm abertura maior para inovação e técnicas que chamam a atenção de todos, muitas delas ganharam prêmios e uma coisa puxa a outra. Os prêmios sempre são uma ótima janela para o resto do mundo entender que existe muita gente criativa e acessível no Brasil.

M&M – Falando de negócios, como foi o desempenho da produtora em 2025 em termos de crescimento e novos clientes?
Maia – Foi um ano muito atípico, pois encaramos uma nova realidade de nível de projetos. Tivemos metade das entregas de 2024, porém, nosso faturamento aumentou devido ao tamanho dos projetos que eram mais extensos e maiores em todos os sentidos.

M&M – Que investimentos a produtora realizou recentemente em tecnologia, estrutura ou talentos?
Maia – A Colossal investe principalmente na produção dos próprios filmes. Todas as técnicas que trazemos exigem tempo e muitas pessoas. Boa parte dos nossos recursos são voltados para isso.

M&M – Em projetos internacionais, qual costuma ser o diferencial percebido da produção brasileira?
Maia – Trazer novas abordagens na produção, que otimizam as verbas e deixam o dinheiro em frente as telas, tem sido um diferencial grande para clientes e agências que buscam de fato um resultado criativo com suas peças.

M&M – Existem desafios que ainda limitam o crescimento internacional das produtoras brasileiras? Quais?
Maia – Entrar em um mercado sempre é complexo e cada um terá um novo tipo de exigência, seja ela cultural ou burocrática.

M&M – Quais são os planos da produtora para os próximos anos? Há novos mercados, formatos ou tecnologias no radar?
Maia – O nosso foco é encontrar novas abordagens de produção que tragam inovação visual para os nossos projetos. Isso pode ser feito com a última tecnologia já criada ou até mesmo com um lápis e um papel.